quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

É o Irão que vai ganhar a guerra na Síria?

ANÁLISE
CLARA BARATA
15 de Dezembro de 2016, 8:44

Teerão investiu muito na manutenção do regime de Assad, mais do que a Rússia. 

Quer construir um “crescente xiita” de influência regional, face à sua grande rival, a Arábia Saudita.

O Presidente iraniano Hassan Rouhani deu os parabéns a Bashar al-Assad pela vitória “na Alepo libertada”, segundo a presidência síria, depois de Teerão, um aliado fundamental de Damasco na guerra que destrói a Síria há cinco anos, ter feito colapsar o acordo de cessar-fogo para evacuar os civis da cidade cercada negociado pela Rússia e pela Turquia na terça-feira à noite, sem que os Estados Unidos fossem incluídos.

Teerão está prestes a erguer um “crescente xiita” de influência regional que se estende da fronteira do Afeganistão até ao Mediterrâneo, disse à Reuters Hilal Khashan, professor de Estudos Políticos na Universidade Americana de Beirute (Líbano). 
“Os iranianos vão estabelecer a sua esfera de influência do Iraque até ao Líbano”, previu Khashan.

No momento em que Assad tem na mão a maior vitória desta guerra sangrenta que já vai quase em seis anos e que atinge níveis de barbarismo que se julgavam impossíveis, o Irão não está disposto a passar para segundo plano.

“A Rússia pode ter a primazia nos bombardeamentos aéreos, mas o Irão é o principal actor militar em terra. 
Começou a treinar as milícias sírias já em 2012, e depois avançou com as suas próprias forças e unidades lideradas por militares iranianos. 
Investiu muito mais do que a Rússia nesta guerra desde o início da revolta síria, em 2011. Gastou fortunas para preservar o regime [de Assad], perdeu mais de uma dezena de comandantes e centenas de tropas, sem mencionar um grande número de baixas entre os iraquianos e afegãos que envia para combater na Síria”, escreve no site The Conversation Scott Lucas, professor de Política Internacional da Universidade de Birmingham (Reino Unido).

Por causa do investimento tão pesado que fez nesta guerra, o Irão pode não estar disposto a tolerar nenhuma área de oposição na Síria. 
Por isso a conquista de Alepo terá sido tão feroz, e provavelmente a ofensiva continuará para Idlib, apesar dos pesados custos humanos, financeiros e militares, sublinha o investigador britânico.

Para Teerão, o que se passa na Síria faz parte de uma prolongada guerra de atrito que mantém com o seu grande rival regional, a Arábia Saudita. 
Em ambos, o poder secular e o religioso se entrelaçam de formas frequentemente conflituosas, embora um seja xiita e outro sunita. 
Fizeram do Médio Oriente o palco da sua disputa pela supremacia regional, apoiando guerras mortíferas, no Iémen e na Síria. 
Os sauditas e outros países do Golfo apoiam vários grupos rebeldes na Síria.

Os principais interesses da Rússia não os de afirmação regional, embora também os tenha. “A marginalidade dos Estados Unidos foi evidente no anúncio do cessar-fogo de 13 de Dezembro. 
John Kerry não estava em lado nenhum; foram os serviços secretos turcos e os militares russos que chegaram a acordo. 
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, resumiu bem a coisa: ‘É mais fácil para Moscovo chegar a acordo com a Turquia sobre Alepo do que os EUA’”, comentou Scott Lucas.

O recuo de Washington em relação ao Médio Oriente, sentido por muitos países da região, melindrados por causa do acordo sobre o nuclear com o Irão – um importante feito diplomático, mas com muitos críticos – abriu espaço para a entrada da Rússia, que procura reafirmar o seu estatuto de potência mundial. 
Embora com fraquezas evidentes, como uma economia em crise.

“Vladimir Putin compreendeu bem a opção de Washington em não se envolver tanto e a falta de vontade dos europeus de intervir, ainda que critique sempre nos seus discursos o alegado intervencionismo ocidental”, disse ao Le Monde Thomas Gomart, director do Instituto Francês de Relações Internacionais. 
“O Presidente russo conseguiu fazer do seu país o interlocutor privilegiado sobre a crise síria, tal como nos tempos da Guerra Fria”, afirmou.

“A gestão da crise síria [pelos países ocidentais] é uma sequência de oportunidades perdidas. 
No último ano, os russos fizeram, para salvar o regime, tudo o que os ocidentais não fizeram pela oposição, disse em Setembro ao diário francês Camille Grande, que se tornou entretanto uma das secretárias gerais adjuntas da NATO.

Moscovo, Teerão e Ancara, “formato eficaz” para obter “um cessar-fogo” na Síria

SOFIA LORENA
20 de Dezembro de 2016, 17:28

O trio de Moscovo diz-se agora “pronto a contribuir para elaborar um projecto de acordo para as negociações entre o Governo sírio e a oposição”.

Os iranianos, principais aliados de Bashar al-Assad, só começaram o ano passado a integrar as tentativas de negociações com o regime da Síria e a oposição externa, promovidas sempre pelas Nações Unidas ou num esforço diplomático conjunto de Estados Unidos e Rússia. 
Esta terça-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros russo, iraniano e turco defenderam em Moscovo “a importância de alargar o regime de cessar-fogo de forma a garantir um acesso sem obstáculos à ajuda humanitária e à livre circulação das populações no território sírio”.

Questionado sobre o que ficou para trás de trabalho com o seu homólogo americano, John Kerry, Serguei Lavrov afirmou que “este formato é o mais eficaz, e isto não é uma tentativa de lançar uma sombra sobre os esforços de todos os parceiros para resolver a crise síria”, é apenas o ministro russo a “constatar um facto”.

O cessar-fogo actual envolve Alepo, a grande cidade do Norte da Síria onde a oposição armada mantém ainda alguns bairros que aceitou abandonar a semana passada em troca da evacuação dos civis, cercados há meses e bombardeados sem tréguas pela aviação síria e russa desde Novembro. 
Lavrov afirma que a retirada das populações das zonas Leste de Alepo estará terminada “dentro de um dia, dois no máximo”.

Pelo menos 25 mil pessoas, incluindo uns 4000 combatentes, saíram desde quinta-feira, diz o Comité Internacional da Cruz Vermelha, que está a coordenar o processo assim que os habitantes passam os controlos de segurança do regime. 
O Exército de Assad precisou dos altifalantes dos rebeldes e usou-os para pedir a opositores e civis que abandonem o último enclave da oposição. 
“O Exército quer limpar a zona depois da saída dos homens armados”, explicou um responsável militar sírio à AFP.

A Cruz Vermelha diz que ainda falta retirar “milhares” de pessoas; a ONU estimava 20 a 30 mil na segunda-feira ao final do dia. 
No primeiro dia da semana, reiniciada a retirada que fora interrompida sábado e domingo, houve 75 autocarros a sair do Leste de Alepo. 
Terça-feira de manhã foram apenas dez a dirigirem-se para os bairros sob controlo do Governo antes de partirem para zonas rurais da província mantidas pela oposição ou para Idlib, umas dezenas de quilómetros a Sudoeste. 
Segundo as descrições dos correspondentes da AFP, a maioria eram “velhos, mulheres e crianças”. 
“O seu estado é lamentável, todos tinham frio”, disse um responsável dos serviços médicos, Bashar Babbour.

Russos e turcos negociaram este cessar-fogo e esta evacuação – por causa do seu relativo sucesso, o enviado da ONU para o conflito, o diplomata Staffan de Mistura, já apelara a um regresso à mesa das negociações a 8 de Fevereiro na cidade de Genebra, onde decorreram ao longo dos últimos anos diversas tentativas infrutíferas de pôr regime e oposição a falar.

O trio de Moscovo diz-se agora “pronto a contribuir para elaborar um projecto de acordo para as negociações entre o Governo sírio e a oposição”, afirmou Lavrov, quando leu uma declaração tendo a seu lado o ministro turco, Mevlüt Çavusoglu, e iraniano, Mohammad Javad Zarif, assim como os ministros da Defesa dos três países.

Na conferência de imprensa que se seguiu, Çavusoglu defendeu a necessidade de pôr fim a todos os apoios a grupos que vão combater na Síria, dizendo que “é errado apontar apenas o dedo a um dos lados”.

A Turquia apoia diferentes grupos de sírios árabes e tem o seu próprio Exército na Síria – para travar os avanços dos curdos e dos jihadistas do Daesh na direcção do seu território. Já a Rússia e o Irão têm as suas próprias forças ao lado do regime e Teerão promove ainda a mobilização do Hezbollah libanês, que não nega há mais de dois anos estar na Síria, e de outras milícias xiitas, como algumas iraquianas.

Erdogan acusa EUA de apoiarem terroristas na Síria. "Ridículo", respondem os americanos

PÚBLICO
27 de Dezembro de 2016, 22:17

O Presidente turco propõe ainda que a Arábia Saudita e o Qatar se sentem à mesa das negociações sobre o processo de paz na Síria.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta terça-feira que possui provas de que a coligação liderada pelos EUA no conflito na Síria apoiou grupos terroristas tais como o Daesh ou as milícias curdas das Unidades de Protecção do Povo (YPG) e do Partido da União Democrática (PYD).

“Eles acusaram-nos de apoiar o Daesh”, afirmou Erdogan, segundo a Reuters, numa conferência de imprensa em Ancara. 
“Agora dão apoio a grupos terroristas incluindo ao Daesh, às YPG, ao PYD. 
É muito claro. 
Nós temos provas confirmadas, com imagens, fotografias e vídeos”, garantiu o Presidente da Turquia.

Horas depois, o Departamento de Estado norte-americano reagiu, através do seu porta-voz, Mark Toner, qualificando as acusações de Erdogan como “ridículas”.

Esta terça-feira, e ainda sobre a Síria, o Presidente turco defendeu também que a Arábia Saudita e o Qatar devem juntar-se à Turquia e ao Irão na mesa de discussão sobre os esforços de paz em relação ao conflito na Síria.

Moscovo, Ancara e Teerão concordaram em reunir-se no Cazaquistão no próximo mês para discutir a situação síria. 
Agora, Erdogan afirmou que na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros deveriam estar presentes os representantes dos dois países do Golfo Pérsico, referindo que mostraram “boa vontade e deram apoio” ao país liderado por Bashar al-Assad, cita a Associated Press.

A Arábia Saudita e o Qatar são dois dos principais apoiantes dos rebeldes que lutam para derrubar o regime de Assad que, por sua vez, tem como maiores aliados Moscovo e Teerão.

Apesar disso, Erdogan garantiu que a Turquia não marcará presença no encontro caso qualquer “organização terrorista” seja convidada, referindo-se às milícias curdas sírias acusadas de serem uma extensão dos grupos também curdos na Turquia.

Turquia e Rússia perto de acordo para cessar-fogo na Síria, diz Ancara

PÚBLICO
28 de Dezembro de 2016, 9:02 actualizado a 28 de Dezembro às 16:20~


Acordo ainda não foi confirmado oficialmente por nenhum dos Governos.

A Turquia e a Rússia estão perto de chegar a acordo para um cessar-fogo na Síria, disse esta quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu.

O ministro comentava uma notícia da agência estatal turca Anadolu de que os dois governos tinham chegado a um acordo. "Há dois textos preparados para uma solução na Síria. 
Um é sobre uma resolução política e outra é sobre um cessar-fogo, podem ser implementados a qualquer momento", disse Cavusoglu, à margem de uma cerimónia no palácio presidencial, em Ancara.

Segundo a agência, os dois países pretendem alargar a todo o território sírio o cessar-fogo decretado em Alepo e vão apresentar a proposta a todos os intervenientes no conflito, excluindo, no entanto, os "grupos terroristas".

Em caso de sucesso, este acordo será a base das negociações políticas entre o regime sírio e a oposição, que Moscovo e Ancara querem organizar em Astana, no Cazaquistão. 
O Governo russo sublinha, porém, que as conversações de Astana estão em fase de "elaboração" e não pretendem substituir o processo de paz que tem decorrido em Genebra.

Líderes dos principais grupos rebeldes confirmaram ter estado reunidos com a Turquia para estudar a proposta de cessar-fogo, mas não querem a exclusão dos territórios que ocupam em Ghuta Oriental, nos arredores de Damasco, das tréguas.

O cessar-fogo deverá entrar em vigor à meia-noite (menos duas horas em Portugal continental) de quarta-feira em todo o território da Síria. 
A agência turca não revela detalhes sobre quando e como o acordo foi concluído, mas sabe-se que nas últimas semanas decorreram em Ancara conversações entre a Rússia, a Turquia e a oposição síria. 
Não houve ainda um anúncio oficial sobre o acordo por parte dos Governos envolvidos.

Permanecem, no entanto, muitas dúvidas quanto às hipóteses de sucesso desta iniciativa. Cavusoglu reiterou a exigência turca de que o Presidente sírio, Bashar al-Assad, deverá abandonar o poder. 
"O mundo inteiro sabe que não é possível haver uma transição política com Assad, e também sabemos que é impossível para estas pessoas se unirem em torno de Assad", disse o ministro, citado pela Reuters.

Enquanto Ancara apoia os rebeldes na Síria, Moscovo, tal como o Irão, é próximo do regime de Damasco. 
No entanto, recorda a AFP, houve nos últimos meses uma aproximação entre os dois países com vista a um entendimento na Síria. 
Um dos sinais de boa vontade foi dado pela Turquia quando, na semana passada, o regime de Assad conseguiu, com a ajuda dos russos, recuperar o controlo da cidade de Alepo, da qual foram retiradas cerca de 34 mil pessoas.

Em Outubro passado, um cessar-fogo que tinha sido negociado pelos Estados Unidos e a Rússia falhou quando o Governo sírio continuou a bombardear as posições controladas pelas forças rebeldes.

Governo sírio e rebeldes aceitam cessar-fogo e início de negociações

ANA FONSECA PEREIRA
29 de Dezembro de 2016, 12:01 actualizada às 13:21

Trégua entrará em vigor à meia-noite desta quinta-feira "em todo o território sírio". 

Rússia e Turquia mediaram acordo e serão os seus garantes.


O regime de Bashar al-Assad e grupos da oposição chegaram a acordo para a entrada em vigor, a partir da meia-noite desta quinta-feira, de um cessar-fogo “em todo o território sírio”, anunciaram a Rússia e a Turquia, os dois países por trás da mais recente tentativa para pôr cobro à guerra no país.

Segundo o Presidente russo, Vladimir Putin, Damasco e representantes da oposição assinaram três documentos – além da trégua e de uma lista de mecanismos para a sua monitorização, as duas partes comprometeram-se a iniciar negociações com vista à resolução do conflito, que dura já desde 2011 e fez mais de 300 mil mortos. 
Putin revelou ainda que Moscovo aceitou reduzir a sua presença militar no país, onde actua desde Setembro de 2015 ao lado de Assad, mas continuará “a lutar contra o terrorismo internacional e a apoiar o governo sírio”.

A Coligação Nacional Síria, que agrega grande parte dos grupos da oposição (armada e política), representando-a nas negociações internacionais, anunciou que apoia este entendimento e apelou “todas as partes a aceitá-lo”. 
Um porta-voz da Coligação afirmou, no entanto, que os rebeldes “irão retaliar se forem atacados”.

Segundo o ministro da defesa russo, Serguei Choigu, o acordo envolve "as principais forças da oposição armada" síria, num total estimado de 62 mil combatentes.

O Exército sírio assegura que a trégua, que tem como garantes a Rússia e a Turquia, não se aplicará aos jihadistas do Daesh nem à Frente Fatah al-Sham (antiga Frente al-Nusra, considerada o braço armado da Al-Qaeda no país) e os seus aliados. 
Contudo, Osama Abu Zeid, conselheiro do Exército Livre da Síria e um dos envolvidos nas negociações, disse à Reuters que apenas os extremistas islâmicos e as áreas que eles controlam estão excluídos deste acordo. 
Uma das dúvidas prende-se com a região de Ghutta Oriental, um dos derradeiros bastiões da oposição nos arredores de Damasco, já que nos últimos dias o regime sírio insistia que as suas operações nesta área não podiam cessar.

Esta não é a primeira vez que regime e rebeldes aceitam um cessar-fogo, mas as anteriores tentativas, negociadas sob a égide das Nações Unidas, colapsaram ao fim de vários dias. 
Este entendimento acontece, no entanto, num momento diferente do conflito, depois de a rebelião síria ter sido forçada a abandonar Alepo, após meses de cerco e uma derradeira ofensiva que confinou a oposição a uma pequena fracção do território que controlou durante quatro anos na metade Leste da cidade.

Citado pelas agências de notícias russas, Putin reconheceu que este cessar-fogo “é frágil e vai requerer muita atenção”, mas elogiou o esforço dos seus ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, bem como os parceiros de Moscovo na região, por esta esperança de paz. 
Serguei Lavrov, o chefe da diplomacia russa, revelou que está já a preparar, com os homólogos da Turquia e do Irão, o início das negociações de paz, prevista para Astana, no Cazaquistão.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ONU aprova equipa para preparar processos contra crimes de guerra na Síria

REUTERS
21 de Dezembro de 2016, 23:47 actualizado a 21 de Dezembro às 23:51



A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a criação de uma equipa especial para “recolher, consolidar, preservar e analisar provas” de crimes de guerra e abusos humanitários cometidos no conflito da Síria.

A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou esta quinta-feira a criação de uma equipa especial para “recolher, consolidar, preservar e analisar provas” e para preparar os casos de crimes de guerra e abusos humanitários cometidos durante os cinco anos de conflito na Síria.

A Assembleia Geral da ONU adoptou uma resolução, aproveitando uma proposta do Lichtenstein, para criar a equipa independente tendo recolhido 105 votos a favor, 15 contra e 52 abstenções. 
Esta equipa irá trabalhar em coordenação com a Comissão de Inquérito das Nações Unidas na Síria.

A equipa vai então “preparar arquivos para facilitar e acelerar processos judiciais justos e independentes em conformidade com as normas do Direito internacional em tribunais nacionais, regionais e internacionais ou em tribunais que tenham ou que possam vir a ter no futuro jurisdição sobre estes crimes".

A resolução agora aprovada pela ONU apela a todos os Estados, partes do conflito e grupos de civis a providenciar qualquer informação ou documentação.

Antes da votação, o embaixador da Síria na ONU, Bashar Já’afari, afirmou à Assembleia Geral que o “estabelecimento de um mecanismo destes é uma interferência flagrante nas questões internas de um Estado-membro da ONU”. 
A Rússia e o Irão, ambos aliados do regime de Bashar al-Assad, também criticaram a decisão.

Conselho de Segurança chega a acordo para envio de observadores a Alepo

PÚBLICO
18 de Dezembro de 2016, 18:50 actualizado a 18 de Dezembro às 20:03


A cidade de Alepo tem sido palco de alguns dos
mais violentos conflitos da guerra na Síria
Resolução proposta no Conselho de Segurança das Nações Unidas prevê monitorização da saída de civis da cidade. Rússia e França resolveram divergências iniciais sobre o texto.

Rússia e França superaram as divergências iniciais e, esta segunda-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá aprovar uma resolução que prevê a monitorização da evacuação de civis da cidade de Alepo, na Síria.

De acordo com a Agência France Press, foi possível ultrapassar durante este domingo o impasse gerado pela recusa russa em aprovar a proposta de resolução que tinha sido apresentada pela França na sexta-feira, chegando-se a um documento comum que ambas as partes – e os restantes membros do Conselho de Segurança – estão dispostos a votar favoravelmente.

A resolução prevê que sejam colocados no terreno observadores enviados pela ONU para monitorizar as evacuações e a assistência humanitária que se pretende efectivar em Alepo, cidade duramente atingida pelo conflito militar na Síria.

Antes, uma proposta pela França com esse objectivo tinha sido ameaçada de veto pela Rússia. 
As autoridades de Moscovo, que se têm constituído como o principal apoio do presidente da Síria Bashar al-Assad, consideraram que a proposta francesa não levava em linha de conta o nível de preparação que seria necessário para que representantes da ONU pudessem efectivamente monitorizar a forma como as populações estão a ser protegidas. A Rússia apresentou imediatamente aos outros membros do Conselho de Segurança uma proposta de resolução alternativa que, diziam, “podia atingir os mesmos objectivos”.

“Não temos qualquer problema com uma monitorização. 
Mas a ideia de que seja dito [aos representantes da ONU] para vaguearem em torno das ruínas do leste de Alepo sem uma preparação adequada e sem informar ninguém acerca daquilo que irá acontecer, isso é algo que faz adivinhar um desastre”, afirmou na altura o embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, citado pela Reuters.

Na contraproposta russa, a alteração mais importante era o acréscimo ao texto de uma disposição em que se pedia ao secretário-geral da ONU “que garanta as condições, nomeadamente de segurança, em coordenação com as partes interessadas, para permitir ao pessoal das Nações Unidas monitorizar as condições dos civis que permanecem em Alepo”.

A reacção imediata da França a esta proposta russa não foi positiva, tendo o embaixador François Delattre afirmado aos jornalistas que não seria capaz de chegar a um compromisso com a Rússia sobre “exigências básicas”. 

Passadas algumas horas, contudo, as negociações surtiram efeito e diplomatas dos dois países encarregaram-se de dar a notícia. 
François Delattre, pela França, disse que os 15 países (que compôem o Conselho de Segurança) encontraram "um terreno de entendimento" em relação a um texto de compromisso. 
Vitali Tchourkine, pela Rússia, assinalou que se trata de "um bom texto".

A votação deverá acontecer no decorrer desta segunda-feira.