domingo, 9 de julho de 2017

Cimeira do G20: Trump e Putin chegam a acordo de cessar-fogo para a Síria

G20 GERMANY 2017
HELENA BENTO       07.07.2017 às 22h04




















Acordo abrange as regiões de Daraa, Quneitra e Suwayda, no sudoeste da Síria, e deverá entrar em vigor no próximo domingo

Além de ter falado sobre a situação na Ucrânia e o combate ao terrorismo, Donald Trump e Vladimir Putin também chegaram a um acordo de cessar-fogo para o sudoeste da Síria, que deverá entrar em vigor às 00h do próximo domingo, hora local (10h00 em Lisboa).

O estabelecimento de “zonas seguras” nas regiões de Daraa (próxima da fronteira com a Jordânia), Quneitra e Suwayda foi anunciado pelo chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, que também esteve presente no encontro entre os dois líderes, e adiantou que Vladimir Putin e Donald Trump comprometeram-se a garantir que “todas as partes” envolvidas no conflito vão respeitar a trégua e garantir o envio de ajuda para a região.

A polícia militar russa - em coordenação com os EUA e a Jordânia, que também está envolvida no acordo - irá, numa fase inicial, ficar responsável pelas questões de segurança. “Creio que temos aqui a primeira indicação de que os EUA e a Rússia estão dispostos a trabalhar em conjunto na Síria. 
Como resultado disso, tivemos uma longa discussão a respeito de outras áreas em que poderemos continuar a trabalhar juntos”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, que também esteve presente no encontro.

Donald Trump e Vladimir Putin reuniram-se esta sexta feira em Hamburgo, na Alemanha, onde decorre a cimeira do G20. 
Durante a reunião, o nome do Presidente sírio Bashar al-Assad terá vindo à baila, segundo Rex Tillerson. 
“Ainda não se sabe em que circunstâncias é que Assad deixará o poder”. 
“Haverá uma transição”, disse Rex Tillerson, e essa “transição será feita longe da família” do atual líder da Síria.

China e Estados Unidos tão rivais como dantes

G 20 GERMANY 2017
António Caeiro, correspondente em Pequim
08.07.2017 às 18h00


























Xi Jinping esteve com Putin antes do G20 e demarcaram-se de Trump quanto à Coreia do Norte. 
Tensão no Mar da China

China convidou especialistas alemães e norte-americanos a integrar a equipa de “reputados oncologistas” que está a tratar o mais famoso dissidente chinês e Prémio Nobel da Paz, Liu Xiaobo, num hospital de Shenyang. 
O anúncio do convite coincidiu com a chegada à Alemanha do Presidente chinês, Xi Jinping.

Preso desde 2008, condenado a onze anos de prisão por “atividades subversivas”, Liu Xiaobo saiu da cadeia há dez dias, em regime de “liberdade condicional médica”, depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro no fígado em fase terminal.

Organizações de defesa dos direitos humanos pediram que Liu Xiaobo fosse tratado fora da China, mas segundo as autoridades, não estará em condições de viajar. 
O seu estado de saúde, entretanto, piorou, indicou o hospital num comunicado difundido na quinta-feira, véspera da cimeira anual do G20.

Xi Jinping aterrou em Berlim vindo de Moscovo, onde há quatro dias ele e o homólogo russo, Vladimir Putin, tinham prometido “fortalecer a coordenação sobre a península coreana e outras grandes questões”. 
O Presidente norte-americano, Donald Trump, entrou na Alemanha através da Polónia, um dos países europeus historicamente mais desconfiados do poderio russo. 
“A questão fundamental do nosso tempo é se o Ocidente tem vontade de sobreviver”, proclamara Trump em Varsóvia. 
As diferenças — de itinerário e de discurso — não são apenas simbólicas. 
Menos de cem dias depois da calorosa cimeira informal na Florida, os líderes das duas maiores potências mundiais parecem de novo em rota de colisão.

No início da semana, ao telefone com Trump, Xi alertou para os “fatores negativos” que afetam as relações bilaterais, revelou a imprensa chinesa. 
Um dos “fatores” diz respeito ao novo pacote de armas que os Estados Unidos tencionam vender a Taiwan, no valor de 1400 milhões de dólares. 
“A errada decisão dos Estados Unidos contraria o consenso alcançado pelos dois Presidentes”, protestou a embaixada da China em Washington. 
Para Pequim, Taiwan é uma província chinesa e não uma entidade política soberana. “Ninguém poderá quebrar a nossa determinação para defender a integridade territorial e a soberania da China”, disse um porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.

TENSÃO AO LARGO DA CHINA
A venda de armas a Taiwan — a primeira desde 2015 — não foi a única medida antichinesa adotada pela Administração norte-americana a 30 de junho. 
No mesmo dia, o Departamento do Tesouro anunciou que um banco chinês, o Dandong Bank, vai ser retirado do sistema financeiro dos Estados Unidos por ter alegadamente facilitado transações de empresas ligadas ao programa nuclear e balístico da Coreia do Norte.

No Mar do Sul da China a tensão também subiu, com Pequim a acusar os Estados Unidos de “graves provocações militares”. 
Há uma semana, no âmbito de uma operação chamada “Liberdade de Navegação”, o contratorpedeiro “USS Stethem” entrou em águas territoriais das Ilhas Paracel, um dos arquipélagos onde a China está a construir infraestruturas e cuja soberania é reclamada igualmente pelo Vietname.

O navio americano “violou a lei chinesa e internacional, desrespeitou a soberania da China, e perturbou a paz, a segurança e a ordem, ameaçando as instalações e o pessoal das ilhas chinesas”, disse um jornal chinês. 
A reação foi considerada “a mais dura” do género desde que Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos.

China e Rússia, os únicos países que fazem fronteira com a Coreia do Norte, opõem-se ao programa nuclear e aos testes balísticos de Pyongyang, mas, ao mesmo tempo, defendem o desmantelamento do sistema antimíssil THAAD que os Estados Unidos instalaram na Coreia do Sul e a suspensão das manobras militares conjuntas organizadas por Washington e Seul.

“As relações sino-russas são as melhores de sempre”, disse Xi Jinping em Moscovo. 
Não se poderá dizer o mesmo das relações entre a China e os Estados Unidos.

Acordo de Paris é “irreversível”, com ou sem os EUA

G20 GERMANY 2017
HELENA BENTO   -  08.07.2017 às 18h44

























Países reunidos em Hamburgo comprometeram-se a prosseguir as políticas ambientais espelhadas no acordo assinado em Paris, em dezembro de 2015. 
EUA estão oficialmente fora do acordo. 
Theresa May diz-se “consternada” e Merkel lamenta o sucedido. 
Já Emmanuel Macron promete não desistir de Trump

O Acordo de Paris é “irreversível”, mesmo sem a participação dos EUA. 
Eis as linhas principais do comunicado final emitido este sábado pelos países do G20, reunidos em Hamburgo, na Alemanha.

“Tomámos nota da decisão dos Estados Unidos de abandonar o acordo de Paris (...)”, lê-se no início do comunicado, que termina esclarecendo que, apesar da desvinculação dos acordos sobre o clima, os EUA “comprometeram-se a baixar as emissões de CO2, ao mesmo tempo que vão apoiar o crescimento económico e a melhoria da segurança energética”. 
“Os EUA vão esforçar-se para trabalhar estreitamente com outros parceiros para facilitar o seu acesso e a utilização mais apropriada e eficaz das energias fósseis, ajudando-os ainda a desenvolver energias renováveis e outras fontes de energia limpa", refere ainda o comunicado.

Em conferência de imprensa, Angela Merkel mostrou-se satisfeita com o compromisso assumido pelos restantes 19 países reunidos em Hamburgo, na Alemanha. 
“Regozijo-me muito que todos os outros chefes de Estado e governo" mantenham os acordos de Paris, declarou a chanceler alemã, admitindo, porém, que foi difícil chegar a um consenso e que a resolução final representa uma ruptura com a tradição, uma vez que nunca, até agora, um país do G20 fora autorizado a prosseguir uma política individual.

O comunicado acaba por reconhecer oficialmente a saída dos EUA do acordo de Paris, que Merkel disse “lamentar” e que já tinha sido anunciada por Donald Trump, em linha com as promessas feitas durante a campanha eleitoral. 
Recorde-se que o Presidente norte-americano sempre questionou as alterações climáticas, que chegou a descrever como uma “invenção dos chineses”.

Em reação ao sucedido, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse estar “consternada” e apelou ao Presidente norte-americano - depois de já o ter feito noutras conversas durante a cimeira, segundo contou aos jornalistas - para que repense os seus últimos passos.

Já o Presidente francês, Emmanuel Macron, disse não ter ainda desistido de fazer com que Trump mude de ideias. 
“Não desisto de o convencer porque penso que, dada a minha posição, tenho esse dever. Além disso, é um traço do meu caráter”, disse Macron, citado pelo britânico “The Guardian”. Macron anunciou ainda a realização, a 12 de dezembro, de uma cimeira sobre o clima.

Os Estados Unidos juntam-se assim à Síria e a Nicarágua na rejeição ao acordo de Paris, que foi alcançado em dezembro de 2015 com o objetivo de reduzir a poluição ambiental, nomeadamente a emissão de gases com efeito de estufa que têm causado as alterações climáticas. 
Nesse acordo, os EUA tinham-se comprometido a reduzir, até 2025, os níveis das suas emissões entre 26 a 28% em relação aos níveis de 2005.

G20 com unanimidade sem apoio ao comércio livre

G20 GERMANY 2017
08.07.2017 às 23h54
























G20 comprometeu-se também a "combater o protecionismo, incluindo todas as práticas comerciais injustas"

A Cimeira do G20, que terminou este sábado em Hamburgo, na Alemanha, apoiou unanimemente o livre comércio, ressalvando que, face a práticas “injustas”, os Estados podem recorrer a “instrumentos legítimos de defesa comercial”.

O comunicado final de consenso da Cimeira dos líderes das 20 maiores economias mundiais (G20), realizada na sexta-feira e hoje, em Hamburgo, no norte da Alemanha, conseguiu com esta expressão compatibilizar as diferentes sensibilidades em torno do comércio internacional, especialmente por parte dos Estados Unidos.

“Manteremos os mercados abertos”, assegura o G20, constituído por países de economias industrializadas e emergentes, que se compromete também, a “combater o protecionismo, incluindo todas as práticas comerciais injustas”.

O texto acordado realça terem existido avanços na situação macroeconómica global, reconhecendo, todavia, que “o crescimento é mais débil do que o esperado”, pelo que se devem continuar a aplicar medidas "monetárias, fiscais e estruturais” para o reforçar.

O G20 sublinha o seu compromisso na aplicação de “reformas estruturais”, o seu intento em reduzir os “desequilíbrios globais excessivos” e a promoção de “uma maior inclusão, justiça e igualdade na procura do crescimento económico e na criação de emprego”. 
O objetivo é alcançar "um crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo", enquanto se melhora a resistência económica e financeira dos países, noticiou a Efe.

No domínio laboral, os líderes do G20 reconheceram os desafios que coloca a globalização, a digitalização e a automatização, e defenderam, que, para melhorar as opções de adaptação dos trabalhadores, face a estas mudanças, há que potenciar a educação e a formação contínua. 
Comprometeram-se também, a promover "oportunidades de trabalho decentes" durante a transição que o mundo está a viver.

No âmbito financeiro, o G20 referiu o “considerável progresso” registado no setor bancário desde a crise e defendeu que se deve seguir no sentido da melhoria da solidez do sistema institucional. 
No mesmo comunicado conjunto, o G20 afirma que pretende continuar a trabalhar por um “sistema fiscal internacional moderno e globalmente justo”, que combata a fraude tributária e melhore o intercâmbio internacional de informação entre Estados.

O G20 compromete-se a avançar na implementação de padrões internacionais de transparência para combater “a corrupção, a fraude fiscal, o financiamento do terrorismo e a lavagem de dinheiro”.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Putin-Trump: primeiro encontro de namorados

José Milhazes
7/7/2017, 6:58
Trump e Putin são mestres em “fazer surpresas”, mas não são de esperar resultados palpáveis deste encontro, mas apenas promessas de cooperação na solução dos graves problemas do mundo.

O encontro dos presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, que se irá realizar este dia 7 à margem da cimeira do G20, poderá ser comparado ao primeiro encontro entre dois namorados: ou o namoro termina aí, ou dá origem a uma relação mais ou menos atribulada.

Nem a Casa Branca, nem o Kremlin têm altas expectativas, mesmo quando as relações entre Moscovo e Washington estão no nível tão deplorável como o actual. 
Dmitri Peskov, porta-voz de Putin, espera apenas “o estabelecimento de um diálogo de trabalho que será certamente vital para todo o mundo no plano do aumento da eficácia da solução da massa crítica dos conflitos e problemas que aumenta de dia para dia”.

Não está previsto que o encontro seja longo, mas o facto de se realizar sentado poderá significar que se prolongue mais além do planeado. Os homens do Kremlin certamente estarão com um cronómetro na mão para medir se Trump dará mais tempo a Putin do que o concedido a Petro Poroshenko, durante a sua visita recente à Casa Branca.

A propósito, a Ucrânia irá ser um dos temas centrais das conversações, numa altura de grande tensão no Leste desse país. 
Na véspera, a Rússia e os representantes das regiões separatistas russófonas de Lugansk e Donetsk abandonaram as conversações com as autoridades de Kiev sobre a troca de prisioneiros. 
A Ucrânia está disposta a falar do tema apenas “com a OCSE e a Rússia agressora”. 
Nos últimos tempos, assistimos a uma escalada deste conflito na Europa que já provocou, segundo dados ucranianos, mais de 2700 soldados ucranianos mortos e mais de 10 mil feridos. 
Desde o início do ano que morreram 120 soldados e 47 civis ucranianos devido aos confrontos com os separatistas. 
As Nações Unidas falam de mais de 9 mil mortos e 20 mil feridos desde 2015.

Até agora os Estados Unidos não participam no “Quarteto da Normandia” (Alemanha, França, Rússia e Ucrânia) que tenta encontrar, sem qualquer resultado real além do congelamento parcial do conflito, uma saída para este grave confronto na Europa e tanto Kiev como Moscovo esperam que Washington dê um novo impulso a este processo de paz. Porém, Dmitri Peskov receia que Putin não tenha tempo e possibilidade de apresentar a sua “opinião sobre os antecedentes e causas da guerra civil na Ucrânia”.

O segundo tema será a Síria, onde o mínimo incidente poderá provocar sérios confrontos entre as forças militares russas que apoiam o dirigente sírio Bashar Assad e tropas da coligação ocidental que apoiam a oposição. 
Isto é cada vez mais possível à medida que os terroristas do Estado Islâmico forem desalojados da Síria e do Iraque e caso aumente a intervenção militar internacional.

Porém, as divergências entre os Estados Unidos e a Rússia na região são tão grandes que não se pode esperar resultados muito concretos do encontro.

Em relação à Coreia do Norte, Trump certamente irá pedir a Putin que pressione mais Kim Jong-un com vista a travar o programa nuclear militar e o fabrico de mísseis. 
Moscovo tem algum poder de pressão económica sobre Pyongyang, mas nada será conseguido sem a colaboração da China.

À difícil solução dos graves problemas internacionais citados vem juntar-se o facto de tanto Trump e Putin estarem de “mãos atadas” nos seus próprios países. 
A mínima cedência do Presidente norte-americano a Putin irá aumentar o fantasma da ingerência do Kremlin na política interna dos Estados Unidos, da dependência de Trump em relação a Putin, mas na Rússia também não ficarão contentes se o seu dirigente se afastar muito da retórica anti-americana constantemente transmitida pelos órgãos de informação russos.

Donald Trump e Vladimir Putin são mestres em “fazer surpresas”, mas parece que ainda não será agora na Alemanha que consigam “tirar o coelho da cartola”. 
Por isso não são de esperar resultados palpáveis deste encontro, mas apenas promessas de cooperação na solução dos graves problemas do mundo.

Numa época em que a situação internacional se agrava a olhos vistos, em que o perigo de novas guerras e conflitos aumenta (por exemplo, o confronto potencial entre o Qatar, por um lado, e outros países do Golfo Pérsico; o endurecimento retórico nos discursos de Washington e Teerão), o diálogo entre Washington e Moscovo, entre a Rússia e a União Europeia deveria ser mais intenso e frutuoso, mas os interesses de cada um destes grandes jogadores no xadrez internacional continuam acima das reais necessidades da Humanidade.

Por isso, já será bom se o primeiro “encontro de namorados” der origem a uma relação mais ou menos estável, pois é difícil acreditar que daqui saia casamento.

Putin e Trump: um duelo de estrelas no meio da cimeira do G20

MUNDO
António Freitas de Sousa
12:31






















O Kremlin e a Casa Branca querem organizar uma cimeira entre os dois presidentes. Enquanto isso não acontece, lá se vão entretendo com uma cimeira feita à medida de Angela Merkel.

Desde que Mikhail Gorbachev declarou extinta a Guerra Fria – no final dos anos 80 do século passado – que um encontro entre os presidentes da Rússia e dos Estados Unidos não era alvo de tanta especulação, análise e antecipação como o encontro de hoje, o primeiro entre ambos, nos corredores da cimeira do G20, em Hamburgo, Alemanha – num edifício que teve ao longo de toda a noite uma pequena guerra à porta.

Depois do primeiro encontro e do primeiro aperto de mãos, a primeira notícia importante: o Kremlin e a Casa Branca acordaram para mais tarde mas para breve um encontro a dois – longe da balbúrdia de uma cimeira onde se atabalhoam 20 interlocutores diferentes – onde Rússia e Estados Unidos possam conversar sobre aquilo que os une e aquilo que os separa.

Sendo a agenda sobre o que os une uma verdadeira incógnita – ninguém arrisca avançar qualquer tema – o que os separa é aquilo que verdadeiramente os obriga ao encontro a sós: a Ucrânia, a Crimeia, a Síria, a Coreia do Norte, o Irão, o Médio Oriente, Israel e por último mas não menos importante, a muito conversada mas nunca devidamente explicada intromissão de uma qualquer entidade russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016.

“Estou ansioso com todas as reuniões hoje com líderes mundiais, incluindo o meu encontro com Vladimir Putin. 
Há muito para discutir”, escreveu Donald Trump no sítio do costume, um tweet.

Vladimir Putin – que há umas duas décadas saltita entre o lugar de presidente da Rússia e de primeiro-ministro do governo do Kremlin – deve estar bem menos ansioso: já leva no currículo uma série considerável de cimeiras do G20, do G7 e até do G8 – com os números a seguir à letra G a variar ao sabor dos acordos internacionais de circunstância. 
Já apertou a mão a vários presidentes dos Estados Unidos e possivelmente a muitos homens de negócio norte-americanos. 
Trump, por seu turno, nunca apertou a mão a nenhum presidente russo, mas talvez já tenha apertado a mão a um ex-espião (como é Putin) do Kremlin.

No encontro dos dois homens há, contudo, um objetivo – estranhamente comum aos dois homens: cada um deles está encarregue (por si próprio em primeiro lugar e pelos que neles votaram maioritariamente em segundo lugar) de fazer regressar os seus antigos impérios nacionais ao seu lugar na história.

A mãe-Rússia, lugar de todas as lendas, efabulações, sonhos e desertos, e o país da fronteira, que transformou a democracia numa necessidade primária, estarão hoje pela primeira vez frente-a-frente – num diálogo que será necessariamente desinteressante: não é ali, na cimeira do G20 que as duas nações vão esgrimir as suas agendas. 
Até porque Angela Merkel, e não apenas por ser a anfitriã, decidiu que esta será a ‘sua’ cimeira, com a ‘sua’ agenda, as ‘suas’ decisões e as ‘suas’ conclusões.


Mas, como afirmam os analistas e os ’expert’ neste tipo de acontecimentos, todos os olhares, todos os sorrisos, todos os esgares e todos os trejeitos de Putin e Trump enquanto estiverem um com o outro serão analisados ao pormenor. 
Ou à luz da diplomacia internacional. O que será não apenas um exercício levemente disparatado, como também uma forma de atirar pressão para essa outra cimeira futura, a do Kremlin com a Casa Branca. 
Como se essa, apesar de nem ainda sequer estar marcada, fosse a cimeira de todas as cimeiras: aí se verá se o mundo continua em frente ou se virará outra vez para trás – à procura da porta que Gorbachev sonhou ter fechado para sempre.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

ISIS no Iraque: as forças armadas capturaram a mesquita histórica de Mossul onde o líder jihdista Baghdadi declarou Califado

MUNDO
Por Jack Moore em 29/06/17 às 6:17

As forças especiais iraquianas capturaram na quinta-feira a mesquita Al-Nuri gravemente danificada em Mosul, quase três anos até o dia em que o líder do grupo militante islâmico (ISIS) Abu Bakr al-Baghdadi ficou em seu púlpito e declarou a base do califado.

O general iraquiano, o tenente general Abdul Wahab al-Saadi, confirmou a captura para a Associated Press, dizendo que a libertação do complexo da mesquita veio após uma ofensiva ao amanhecer que permitiu que as forças especiais assegurem o edifício e suas ruas circundantes.

A captura do complexo é esperada há algum tempo, mas ainda representa um golpe simbólico e importante para as forças iraquianas, que tem lutado em Mosul desde o ano passado. 
A mesquita do século XII, conhecida pelo seu minaret inclinado al-Hadba, está na cidade velha do centro de Mosul e foi adornada com a bandeira negra do ISIS desde junho de 2014.

O filme emergiu na semana passada do momento em que o edifício foi destruído no que parecia ser uma explosão controlada pelo ISIS. 
O minarete inclinado al-Hadba pode ser visto à distância, antes que o edifício exploda e a fumaça preta e os detritos subem no ar. 
As filmagens contradizem a afirmação anterior da ISIS de que um ataque aéreo americano era responsável por sua destruição. 

É apenas um dos muitos casos em que o ISIS cometeu o que as agências culturais dizem serem crimes de guerra históricos, destruindo antigas fachadas, estátuas e artefatos que considera idólatras em todo o seu território no Iraque e na Síria.


A mesquita de Al-Nuri, completada em 1172, é uma das mais antigas da história islâmica e ISIS provavelmente a destruiu para evitar que as forças iraquianas reivindicassem uma vitória simbólica ao tomar a estrutura intacta.

Uma visão geral mostra um minarete inclinado e a Mesquita Al-Nuri, onde o líder de ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi, declarou-se seu califa, na Cidade Velha de Mosul, no dia 24 de maio, durante a contínua ofensiva para retomar a área do Estado islâmico (ISIS ) combatentes do grupo.

Líderes iraquianos dizem que as tropas de elite dos militares estão a poucos dias de libertar os últimos bairros da Cidade Velha do controle ISIS depois de oito meses de batalha prolongada. 
O exército iraquiano estima que cerca de 300 combatentes do ISIS permanecem nos últimos bolsos de controle na cidade, mas estão cercados por todos os lados.

O grupo usou o tiroteio, carros-bomba suicidas, armadilhas e até mesmo aviões não tripulados para retardar as forças avançadas apoiadas por ataques aéreos liderados pelos EUA.

Mais de 50 mil civis permanecem sob controle ISIS na cidade, tornando os últimos trechos da batalha precários para as forças iraquianas.