quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DNIC notifica Filomeno Vieira Lopes

Fonte: BD
05 agosto 2015 

COMUNICADO DA COMISSÃO POLÍTICA

Luanda - A Comissão Política do Bloco Democrático, reunido de urgência, vem por este meio informar a opinião pública nacional e internacional que, presumivelmente, no âmbito do Processo-crime que corre contra os 15 activistas do Movimento Revolucionário, presos, sob a acusação pública de preparação de golpe de estado, que o Dr. Filomeno Vieira Lopes, Membro da Comissão Política do BD, foi notificado pelo Serviço de Investigação Criminal, para comparecer no dia 6 de Agosto de 2015, quinta-feira, pelas 09h00, para ser ouvido por um “Especialista” daquele Serviço, a pretexto de ir tratar de “assuntos que lhe diz respeito”.

A Comissão Política do Bloco Democrático manifesta a sua estranheza pelo facto de o “Aviso de Notificação” não esclarecer a condição em que o Dr. Filomeno Vieira Lopes será ouvido naquela instância, razão pela qual o seu advogado tomará as devidas providências.

A Comissão Política do Bloco Democrático apela a toda a massa militante, em especial a sua Juventude, aos amigos e simpatizantes do BD, a todos os democratas e familiares a manterem a serenidade, que caracteriza as pessoas de bem.

“LIBERDADE, MODERNIDADE E CIDADANIA”
COMISSÃO POLÍTICA DO BD, EM LUANDA, 04 DE AGOSTO DE 2015.

A Comissão Política
Justino Pinto de Andrade
(Presidente)


SINSE coloca aparelho de escuta na cela dos jovens detidos

Fonte: Club-k.net
29 junho 2015 

Lisboa - Uma brigada especializada do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), montou micro aparelho de escuta nas celas dos jovens acusados de tentativa de “golpe de Estado”, contra o Presidente José Eduardo dos Santos.

“Gravações ilegais não servem de provas em tribunal”

Os micro aparelhos de ultima geração – com capacidade de gravar conversas num espaço de 48 horas – foram introduzidos nas tomadas de electricidade das celas, nos dias anteriores a chegada dos detidos.

Há  algumas semanas o SINSE teria usado o mesmo método para gravar sessões de palestras dos jovens que tiveram lugar na sala de aula de uma escola de inglês, na Vila Alice pertencente ao académico Alberto Neto. 
Logo após ter conhecimento que os jovens ali se reuniaram, o SINSE teria arrendado uma residência ao lado que lhe facilitou na operação de gravação das discussões da palestra dos jovens activistas.

Foi com base nestas  gravações que o regime alega serem as provas de que os jovens pretendiam  destituir o Presidente JES. 
Numa das gravações  que o PGR, general João Maria de Sousa apresentou a semana passada aos deputados, podia-se ouvir o palestrante Domingos da Cruz a defender que as ditaduras no mundo deveriam ser derrubadas desde que não fossem por via do golpe de Estado. 
O líder da bancada parlamentar do MPLA, Virgílio Fontes Pereira, a fazer fé, nas informações disponíveis não se manifestou convencido com as gravações como prova das acusações mas entendeu que se deveria deixar a justiça a fazer o seu trabalho.

Segundo registos, o SINSE tem implementado a mesma técnica de escutas nos locais onde há eventos, debates e seminários organizados por partidos políticos da oposição e grupos da sociedade civil tidos como avessos ao regime. 
A referida operação nunca é posta em marcha sem o conhecimento de um alto quadro do SINSE, general Fernando Octávio Manuel.

Joaquim Ribeiro, o ex-comandante da policia nacional de Luanda, terá sido o primeiro quadro do regime, a quem o SINSE experimentou os referidos aparelhos de escutas de ultima geração. 
Uns dias antes da sua detenção o SINSE colocou também um micro aparelho na tomada electrónica da sua cela. 
O mesmo foi feito, nas celas, dos seus seus colegas.

As escutas telefônicas em Angola, são feitas de modo ilegal (não permitidos por lei) e cobrem também alvos sensíveis como as embaixadas e organizações internacionais. 
Três anos antes de deixar o cargo, o ex-Chefe do SINSE, Sebastião Martins, tencionava legalizar esta pratica para facilitar na apresentação de provas criminais em tribunal, em casos de difícil apuramento de evidencias, em processos judiciais. 
A 11 de Outubro de 2010,  o antigo patrão da secreta  remeteu ao Procurador-Geral da República, João Maria de Sousa, o “draft” da sua proposta para habilitadas apreciações e respectivos pronunciamentos.

Segundo pareceres, uma vez que as gravações feitas na palestra dos jovens são ilegais, as mesmas não podem ser apresentadas em tribunal como elemento de provas contra eles.

Polícia atribui ao SINSE autoria de rapto de oito manifestantes

Fonte: Club-k.net
 02 agosto 2015

Lisboa – Altos responsáveis do comando da Polícia Nacional de Luanda, atribuíram ao Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), a autoria do   rapto de um grupo de oito jovens manifestantes, ocorrido no passado dia 29 de Julho, na capital do país.
Órgãos de segurança  em descoordenação

Os responsáveis da Polícia Nacional, reconhecem que os jovens foram inicialmente “recolhidos” (nova terminologia para as detenções) pelos seus agentes da nos arredores do cinema Atlântico, na Vila Alice, e transportados para a 3a esquadra, do mesmo bairro. 
Os jovens estavam a caminho do largo da Independência para participar na manifestação que exigia a libertação de 15 activistas detidos acusados de planearem um “golpe de Estado” contra o Presidente José Eduardo dos Santos.

Depois de terem sido feitos reféns, na 3a esquadra da Vila Alice, os manifestantes foram levados por outra viatura que os abandonou, por volta 20h00, no bairro Jacinta Tchipa, no município de Viana desencadeando, assim, em denuncias, nas redes sociais de que teriam sido raptados e lavados para parte incerta pela Polícia Nacional.

Em Viana, onde foram abandonados pela Polícia, os jovens seriam confrontados por um outro grupo de operativos que os raptou. 
Ao jornal Maka Angola, o manifestante Mário Faustino que viveu o calvário, descreveu que de repente se viram envolvidos por duas viaturas com vidros fumados, das quais desceram homens armados à paisana, com cartucheiras ao peito, que os colocaram sob mira das armas. 
“Obrigaram-nos a deitar numa das viaturas, estendidos de barriga para baixo e uns por cima dos outros, tipo sacos de bombó”, lamentou.

“Pensámos que estávamos a ser levados para sermos abatidos”, temeu Feridão outra vitima. 
Os jovens raptados ficaram quase 24 horas nas mãos dos operativos, às voltas de carro, acabando numa mata a leste de Luanda.

Por volta das 18h00, do dia 30 de Julho, segundo depoimentos das vítimas, as viaturas pararam num ermo e ordenaram aos passageiros que se alinhassem de costas viradas para os sequestradores.

“Avisaram-nos de que se algum de nós olhasse para trás levaria tiros”, afirmou Feridão. 
Os agentes retiraram-se. 
“Passado pouco tempo, um de nós ganhou coragem, olhou para trás e viu que todos os raptores tinham ido embora e deixado o saco com os nossos telemóveis”, relatou Mário Faustino, ao makaangola.

Conhecedor nato da região de Icolo e Bengo, de onde a sua família é originária, Mário Faustino diz ter reconhecido logo que se encontravam na zona da Cabala. 
Ligaram os telefones e pediram a intervenção dos amigos para que lhes providenciassem.

No seguimento de denuncias que atribuíam a operação a Polícia Nacional , o comandante da PN, em Luanda, Antônio Sita contactou o delegado provincial do Serviço de Investigação Criminal, António Pedro Amaro Neto que revelou desconhecer o grupo de operativos armados que raptou os jovens por cerca de 24 horas.

A conclusão chegada pela Polícia Nacional, é de que os raptores poderiam ser sido agentes do SINSE. 
Porém, a interpretação que se fez, prevalecer, foi a de a interferência dos mesmos foi destinada a criar constrangimento a corporação.

Alegam que caso os supostos agentes do SINSE executassem, os jovens manifestantes, as responsabilidades iriam recair ao comandante provincial da PN, de Luanda, Antônio Sita e ao seu colaborador Francisco Notícia que esteve pessoalmente no terreno a comandar as operações os jovens manifestantes.

O SINSE e a Polícia Nacional vivem de desconfianças desde 2012, apos terem se envolvido em acusações mutuas, sobre a autoria do rapto e execução de dois activistas Alves Kamulingue e Isaías Cassule, promotores de manifestações. 
O primeiro foi morto numa zona, de Luanda onde teriam encontrado outras ossadas de pessoas desaparecidas na qual os agentes do SINSE atribuíram como sendo “trabalho”, da DNIC, a antecessora do SIC, do comissário-chefe, Eugenio Alexandre.

Desde então a Polícia Nacional e o SINSE tem se desdobrado em operações de subversão aos direitos constitucionais de jovens que se manifestam exigindo respeito pelas liberdades cívicas e pela longa permanência ao poder do Presidente José Eduardo dos Santos.





























Autoridades angolanas investigam rapto de nove ativistas em Luanda

Fonte: Lusa
05 agosto 2015 

Luanda - As autoridades angolanas abriram uma investigação a denúncias sobre o rapto de pelo menos nove jovens ativistas que alegadamente iriam participar numa manifestação que se realizou em Luanda no dia 29 de julho.

Alegados raptos atribuídos a agentes de segurança

Em causa estão denúncias que surgiram nas redes sociais e em alguns órgãos de comunicação social sobre alegados raptos atribuídos a agentes de segurança, levados a cabo antes e durante aquela manifestação, convocada para exigir a libertação de outros 15 jovens detidos desde 20 de junho, que terminou com uma carga policial.

De acordo com informação revelada hoje pela polícia angolana, por se tratar de um crime público – rapto – foi aberto um processo de inquérito pelo Serviço de Investigação Criminal, órgão afeto ao Ministério do Interior.

Não é conhecido que qualquer desses ativistas ainda permaneça desaparecido.

Estes alegados raptos foram associados no próprio dia a uma tentativa das forças de segurança de impedir a realização da manifestação, posição negada oficialmente pela Polícia Nacional, que através do porta-voz do Comando Geral, Aristófanes dos Santos, confirma agora “diligências para apurar a verdade”.

A Polícia Nacional negou anteriormente que tenha feito detenções durante a manifestação de ativistas em Luanda, na passada quarta-feira, garantindo que apenas “recolheu” jovens, entretanto libertados, por “tentarem alterar a ordem” na cidade.

A informação foi prestada à agência Lusa pela porta-voz do Comando Provincial de Luanda daquela força, intendente Engrácia Costa, garantindo a oficial que a presença da polícia no Largo da Independência à hora da manifestação dos ativistas visava garantir a segurança de outro evento que decorria no local.

“Foram [jovens ativistas que se manifestavam] recolhidos porque insistiam, apesar da nossa sensibilização. 
Depois de identificados numa unidade nossa, foram mandados embora. 
Não, não foram detidos, foram recolhidos só para prevenir alguma alteração da ordem que eles tentavam fazer”, afirmou a oficial da polícia, sem adiantar números.

A polícia angolana carregou nesse dia sobre cerca de 40 manifestantes que exigiam a libertação de 15 ativistas detidos por suspeita de planearem um golpe de Estado – a qual não estaria autorizada pelo governo provincial -, tendo-se registado alguns feridos na sequência dessa intervenção.

O protesto concretizou-se pelas 16h00 (mesma hora em Lisboa), no Largo da Independência, com os jovens manifestantes gritando por “Liberdade” quando entravam naquela área, que registava forte aparato policial e onde já decorria uma ação das estruturas juvenis do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, o partido no poder), envolvendo cerca de duas centenas de jovens.

Engrácia Costa reiterou, em declarações anteriores à Lusa, que a polícia agiu inicialmente “sensibilizando” os manifestantes que, na aproximação ao largo em que se verificou a intervenção, “eram aconselhados a regressar para casa”.

Conforme a Lusa constatou no local, os jovens estiveram ao longo de alguns minutos concentrados em frente ao mesmo largo, rodeados de elementos policiais que, segundo foi visível, não intervieram.

Aparentemente, só a aproximação entre os manifestantes, do auto-designado Movimento Revolucionário, e a juventude partidária do MPLA – que organizava o evento autorizado – levou a polícia de intervenção colocada no local a carregar sobre os mesmos, recorrendo a equipas cinotécnicas, por entre momentos de forte tensão.

domingo, 2 de agosto de 2015

JES decidido em afastar general Zé Maria

Fonte: Club-k.net  23 julho 2015   

Lisboa – José Eduardo dos Santos revela-se decidido em licenciar à reforma, o general Antônio José Maria, 72 anos de idade, que há vários anos lidera o Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM) das Forças Armadas Angolanas (FAA).   

Há poucos meses, o Presidente JES solicitou ao EMGFAA, do general Geraldo Sachipendo Nunda uma lista dos nomes dos oficiais generais que deveriam passar a reforma por limite de idade. 
Porém, semanas antes de ter viajado para o exterior do país, a Casa de Segurança da PR, recebeu do Chefe de EMGFAA, general Geraldo Sachipendo Nunda a solicitada lista contendo os nomes dos generais (incluído o do general Zé Maria) que seriam afastado e mandados para a reforma, por limite de idade.

Segundo constatações, quando a lista foi parar ao gabinete do Presidente da República, o estadista teria notado a ausência do general José Maria. 
Contudo, o Chefe de Estado, sem dar a conhecer aos responsáveis da Casa Militar, solicitou esclarecimento ao general Geraldo Nunda, e este notou que a lista que (foi inicialmente submetida a Casa de Segurança) teria sofrido alterações consubstanciada no “desaparecimento” do nome do Chefe da Secreta Militar e a inclusão do nome do tenente-general na reserva,  Fernando Garcia Miala.

Em reação, o Presidente Eduardo dos Santos reiterou que o general José Maria mais outros quatros oficiais generais, de idade avançada, iriam fazer parte da lista como os seus   escolhidos para serem despachados para a reforma, num processo a ter lugar no próximo mês de Agosto. 
Por outro lado, retirou da lista “alterada pela Casa Militar” o nome do tenente-general Miala por não estar ainda na idade de passar a reforma.

No seguimento das referidas démarches, foram identificadas manifestações de indisponibilidade do general Zé Maria em passar a reforma sob alegação de que precisaria ainda de algum tempo para concluir um relatório a cerca de um suposto “golpe de Estado”, que um grupo de jovens estaria a preparar contra o Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas Angolanas.

A necessidade de ter mais algum tempo no activo, é também associada a um negocio de exploração de madeira em Cabinda que o tem como o principal entusiasta.

Em meios militares, aguarda-se contudo, o desfecho deste assunto, se o general José Maria fica por mais alguns anos para concluir o seu relatório sobre “golpe de Estado”, ou se JES mande para casa um dos generais que mais o defende nos momentos sensíveis, como no “caso Miala” e na luta de apresenta-lo como o derrubador do regime do Apartheid por via da Batalha do Cuito Cuanavale.

O Laboratório do General Zé Maria e o Agente Português

Maka Angola, 
29 de Junho de 2014






















Há já vários meses, o chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general António “Zé” Maria, tem vindo a liderar um laboratório de ideias com vista a criar um clima de instabilidade no seio das Forças Armadas Angolanas (FAA), de modo que justifiquem purgas. Esta estratégia é conhecida como “a purificação das FAA”.

A iniciativa visa igualmente implementar manobras de distracção diante do agravamento da situação socioeconómica da maioria dos cidadãos e da notória incapacidade de resposta do governo. Pela mesma via, procura-se desviar as atenções sobre a grande incerteza que paira no seio do MPLA e da sociedade acerca da reforma do presidente José Eduardo dos Santos.

Segundo apurou o Maka Angola junto de círculos castrenses, o laboratório conta com a activa participação triangular do adjunto do chefe de Estado-Maior General para a Educação Patriótica, general Egídio de Sousa Santos “Disciplina”, e do responsável pelo Gabinete de Estudos de Segurança da Casa de Segurança do presidente da República, tenente-general João António Santana “Lungo”.

A estratégia fundamental do triunvirato é forçar a conotação dos generais oriundos da UNITA, ao abrigo dos Acordos de Paz, com a direcção política da UNITA e promovê-los como uma ameaça permanente à manutenção do poder do MPLA, sobretudo na era pós-Dos Santos.

O actual chefe de Estado-Maior General das FAA (CEMGFAA), general Geraldo Sachipengo Nunda, é o principal visado da campanha de intrigas. O general Nunda desertou da UNITA em 1993, juntou-se às forças governamentais e foi instrumental na destruição da máquina de guerra do seu antigo comandante-em-chefe, Jonas Savimbi.

Segundo informações difundidas pelo referido laboratório ao nível das FAA, o general Nunda tem estado a privilegiar a formação e promoção de oficiais provenientes da UNITA, com o objectivo de controlar efectivamente o exército e, desse modo, facilitar a tomada do poder pela via militar.

O SISM já afastou das suas estruturas de relevo os oficiais oriundos da UNITA. Por outro lado, ao arrepio da Constituição, que estabelece o apartidarismo das FAA, o general Zé Maria tem organizado e presidido assembleias regulares do MPLA, nas instalações do SISM, nas quais todos os oficiais são obrigados a participar, sob pena de serem sancionados como desleais. “Aqui temos de ser puros”, tem afirmado o general nas referidas reuniões partidárias.

Os generais “provenientes”, como são chamados nas FAA, já manifestaram de forma vigorosa o seu descontentamento junto do presidente da República.

Na última reunião do Conselho de Estados-Maiores, que decorreu no Comando da Marinha de Guerra de Angola, em Luanda, o conselheiro do CEMGFAA, general Isidro Peregrino Chindondo Wambu, tomou a palavra e manifestou a sua indignação. “Chefe, precisamos de saber se, nas FAA, ainda estamos juntos ou não” - assim intimou Wambu o seu superior, general Nunda.

A resposta do general Nunda foi pedir paciência ao seu conselheiro. Nunda falou sobre a gravidade das intrigas que visam a instabilidade política no seio das FAA e referiu-se à ausência, no encontro, dos seus promotores. “O caso já está na mesa do presidente da República”, concluiu o CEMGFAA.

Para além do clima de intrigas, o descontentamento entre os oficiais oriundos da UNITA é agravado pelo regime severo de vigilância a que estão sujeitos pelo SISM e a aberta partidarização das FAA por generais que se identificam enquanto líderes do MPLA, como o próprio Zé Maria. O general Egídio de Sousa e Santos “Disciplina”, por exemplo, chegou a acumular, durante vários anos, altas funções nas FAA com o cargo político de membro do Comité Central do MPLA.

Três generais têm merecido atenção especial por parte do SISM, nomeadamente o general Wambu, conselheiro do general Nunda; o general Arlindo Samuel Kapinala “Samy”, presidente da Comissão Superior de Disciplina Militar (CSDM) do EMGFAA; e o general Vasco Mbundi Chimuco, actual conselheiro do comandante do Exército para Obras e Infra-Estruturas do EMGFAA. O general Wambu, antigo chefe da secreta militar da UNITA, integrou as FAA em 1992, ao abrigo dos Acordos de Bicesse. Por sua vez, os generais Samy e Chimuco foram dois dos mais importantes cabos de guerra de Jonas Savimbi, até à sua morte em combate, no Moxico, em 2002. 
O general Samy desempenhou o cargo de chefe do Estado-Maior Adjunto do Alto Estado Maior General da FALA, ao passo que o general Chimuco foi o comandante da Região Militar 57, no Moxico. Ambos ingressaram nas FAA na sequência dos Acordos do Luena, datados de 2002.

Na primeira semana de Maio, o chefe da Casa de Segurança do presidente da República, general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, orientou uma reunião sobre os supostos actos de conspiração dos generais “provenientes” da UNITA com vista à tomada de poder. Maka Angola soube de fonte segura que o general Kopelipa terá manifestado o seu repúdio ao rol de intrigas concebidas pelo referido laboratório, sem que os seus promotores as pudessem sustentar com provas. 

Em causa estão as eventuais consequências negativas associadas à iniciativa dos teóricos da “purificação das FAA”, que podem prejudicar a unidade e coesão das FAA, bem como o clima de paz e a reconciliação nacional.

O general Kopelipa tem apoiado a gestão do general Nunda, com quem mantém uma relação de grande proximidade ao nível dos negócios e a quem trata por “compadre”.  

Por sua vez, a 21 de Maio passado, o presidente da República, na qualidade de comandante-em-chefe das FAA, procedeu à nomeação de 52 oficiais generais. De entre estes, apenas três são oriundos da UNITA: tratam-se dos generais Vasco Mbundi Chimuco e Amadeu Norberto Chapanga Chiteculo, nomeados, respectivamente, para os cargos de conselheiro do Comandante do Exército para Obras e Infra-Estruturas do EMGFAA e chefe-adjunto da Direcção de Preparação Combativa e Ensino da Força Aérea Nacional; o presidente promoveu ainda Tiago Muekalia, que ingressou nas FAA ao abrigo dos Acordos de Bicesse, em 1992, ao grau de brigadeiro, depois de 22 anos com a patente de coronel. Ou seja, José Eduardo dos Santos nomeou o brigadeiro Muekalia para exercer o cargo de Inspector da Direcção Principal de Logística do EMGFAA.

As pressões do laboratório visam forçar o afastamento do general Nunda do cargo de CEMGFAA, ou obrigá-lo a pedir demissão.

O Escriba do General Zé Maria


Como parte da cabala, o general Zé Maria conta com os serviços de um agente português para a criação de um estado de opinião pública favorável aos desígnios do seu grupo: a incitação ao ódio.

Trata-se do cidadão Artur Queirós, que tem repartido o seu tempo de trabalho entre o diário estatal Jornal de Angola e a sede do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM).

No SISM, Artur Queirós recolhe o material e o poder para os textos incendiários que tem escrito, usando-os a favor da campanha de diabolização da UNITA.

A ideia fundamental, como se verificou em ocasiões anteriores, é esbater a falta de popularidade do presidente, tanto no seio do MPLA como na sociedade em geral, já que cada vez mais é considerado um monarca despótico e desprovido de sentimentos para com a população. Assim, apresenta-se a UNITA como o inimigo comum e, consequentemente, alerta-se para a premência de unidade entre os sectores desavindos do MPLA e da população contra essa alegada ameaça latente.

Por outro lado, o general Zé Maria também delegou outro tipo de poderes a Artur Queirós, que lhe serve como “escritor fantasma” na composição de um livro sobre a Batalha do Cuíto-Cuanavale.

Através deste livro, o general Zé Maria, que se apresentará como autor exclusivo da obra, visará três objectivos.

Primeiro, elevar a figura do presidente José Eduardo dos Santos, promovendo-o como um comandante-em-chefe cuja visão política e estratégia militar mudou o curso da história em África. Numa das suas mensagens laudatórias ao presidente, em 2010, o general Zé Maria descreveu-o como um “génio militar”, 

Segundo, retirar qualquer mérito à intervenção militar cubana, que foi a chave para travar o avanço da UNITA e das forças sul-africanas sobre o Cuito-Cuanavale, após terem impedido a ofensiva governamental sobre Mavinga. Em Março passado, o governo cubano declinou participar nas comemorações  sobre a Batalha do Cuíto-Cuanavale, ocorrida em 1988. Segundo fonte oficiosa, Cuba considera um acto de desonestidade e ingratidão o modo como o governo do presidente José Eduardo dos Santos, através do general Zé Maria, se tem engajado na negação dos factos históricos.

Finalmente, a estratégia visa reduzir a UNITA à insignificância política e militar, sujeitando-a a purgas de modo a alcançar a sua total submissão.

Não há, de momento, informações disponíveis acerca do que pensa o presidente Dos Santos e qual a sua decisão sobre a maka da “purificação das FAA”, que de resto se encontra na sua mesa de trabalhos.

Os homens do destino de África

Domingo, 02 de Agosto 2015 20:08
General António José Maria . 28 de Agosto, 2010

O livro “Africa’s Men Of Destiny – APJ van Rensburg”, esgotado há muito na África do Sul, foi por fim descoberto nas estantes electrónicas da AbeBooks.com, uma livraria detentora de um acervo de mais de 100 milhões de livros (novos, usados, raros ou com edição esgotada),


O livro “Africa’s Men Of Destiny – APJ van Rensburg”, esgotado há muito na África do Sul, foi por fim descoberto nas estantes electrónicas da AbeBooks.com, uma livraria detentora de um acervo de mais de 100 milhões de livros (novos, usados, raros ou com edição esgotada), pela busca obstinada que foi levada a cabo pelos senhores tenente-general Carlos Miguel de Sousa Filipe, Chefe da Direcção de Guerra Electrónica/DPIMO/SIM e brigadeiro Alberto Noé Alfredo, Chefe das Unidades de Vigilância, Observação e Patrulhamento Aéreo/SIM.
Constituiu um grande esforço conseguir um exemplar, pela Internet, vindo dos EUA, pela DHL. Constituiu, também por isso, uma satisfação incontida pela obtenção desse raríssimo exemplar, que nos chegou, nem mais nem menos, no dia 27 de Agosto de 2009, véspera do aniversário natalício do Presidente José Eduardo dos Santos.
O livro tem, a todos os títulos, um valor inestimável pela caracterização que o autor fez do Presidente da República e Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas, quando tinham decorridos apenas dois anos do seu espinhoso consulado. Em 1981, o escritor reajusta, como ele próprio o diz, a sua visão histórica e elabora uma mais restrita, onde coloca o Presidente José Eduardo dos Santos entre “os 15 homens que marcaram o destino d’África”, após ter relegado, para segundo plano, a primeira mais generalista, porque nesta falava indistintamente de todos os presidentes africanos. Como testemunho disso, é de se ler um dos parágrafos do seu prólogo:
…“My first book on contemporary Africa, Contemporary Leaders of Africa (Cape Town, 1975), contained biographical material on all the leaders of Africa as well as brief outlines of their policies and achievements. At that time I felt that these sketches were units to which any person could relate, and that they could serve as useful foundations upon which broader historical understanding of our continent could be based. However, since 1975, I have become convinced that not all the leaders of Africa play equally significant and decisive role in determining the destiny of Africa. Accordingly I decided to revise my previous introduction of the leaders of Africa by writing an entirely new book, but one restricted, though in broader terms that the previous one, to the fifteen leaders in the Africa of 1981 who have the ability through their personalities, policies, achievements and the influence of their countries to change the course not only of Africa’s history but of mankind as a whole.”... (Foreword i)
...“O meu primeiro livro sobre o assunto, intitulado Contemporary Leaders of Africa (Cape Town, 1975) – Líderes contemporâneos de África – continha dados biográficos dos líderes africanos, as linhas gerais das suas políticas e os êxitos por eles alcançados. Na altura, achei que aqueles esboços eram elementos que qualquer pessoa podia relacionar e que podiam servir de base útil a uma ampla compreensão histórica do nosso continente. Porém, desde 1975, comecei a convencer-me de que nem todos os líderes africanos jogaram papéis significativos para definir os destinos do continente. Por esta razão, tive de rever as minhas abordagens anteriores, em conformidade e a respeito dos referidos líderes, escrevendo um livro completamente novo, embora em termos mais amplos que os precedentes, restringido a quinze líderes, da África de 1981, que tiveram, através da sua personalidade, da sua política, dos seus êxitos e da influência dos seus países, a habilidade de mudar o curso, não só da história de África, mas da história da humanidade, como um todo.”…
AFRICA’S MEN OF DESTINY notabiliza o empenhamento do Presidente e Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas José Eduardo dos Santos na defesa do país, perante a guerra sul--africana contra Angola, que culminou na derrocada do Apartheid na África do Sul e na libertação total da África Austral.
Há bem pouco tempo, apresentámos, na Televisão Pública de Angola, documentos históricos reveladores do Seu génio militar na condução do enfrentamento das FAPLA contra os sul-africanos e contra a Unita. Algumas passagens deste livro exaltam a Sua Liderança, Chefia e Comando. O mérito do Presidente José Eduardo dos Santos torna-se ainda maior pelo facto de tal distinção ter sido feita por um historiador sul-africano e com pergaminhos de imparcialidade, pois que ninguém lhe encomendou o seguinte texto:
…“This is the man on whom the immediate future of Angola rests. But his importance goes beyond this: as Moscow’s man in Africa, he will influence southern African issues to a significant extent and will remain a central pivot in the super-power rivalry in Africa. There is, of course, always the danger that the observer will try to read too much in to president Dos Santos’s Russian connections. But is is undeniable that he is a Russian protégé. Some even go as far as to say that his marriage to a Russian woman was arranged by the KGB so that she could spy on him. Even if this reading of the facts is misplaced, the fact remains that, at Dos Santos’s request, a 35-member Soviet military mission arrived in Angola in 1980 to assess the needs of the MPLA army. At the same time, an Angolan delegation was dispatched to Cuba to ask Premier Fidel Castro to “increase his commitment”.
On a recent visit to West Germany to drum up support for UNITA’s guerrilla army fighting the MPLA, Dr. Savimbi gave his first-hand account of the communist bloc commitment. He claimed, “There are now in Angola 34000 Cubans and about 10000 men from the Warsaw Pact countries of which 5000 are from East Germany”. This massive military presence in Angola definitely has an ominous content which could embroil the entire sub-continent in a devastating war with the possible by-product of involvement by one or more of the super-powers. Seen in this context, José Eduardo Dos Santos of Angola can be one of the architects to shape southern Africa’s destiny.”
(Middle February, 1981)” (4º e 5º parágrafos, pág. 55)…
...“Este é o homem de quem depende o futuro imediato de Angola. Com efeito, a sua importância vai para além disso: como homem de Moscovo em África, ele vai influenciar as questões da África Austral a um ponto significativo tal, que o tornará no centro das rivalidades entre as superpotências no que toca ao continente africano. Existe, de certeza, e sempre, o perigo de qualquer observador extrapolar quanto às ligações entre a Rússia e o presidente Dos Santos. Porém, é inegável que ele é um protegido da Rússia. Alguns até vão mais além, ao ponto de dizer que o seu casamento com uma russa foi arranjado pelo KGB de forma que ela pudesse espiá-lo. Ainda que esta visão possa ser despropositada, facto disso demonstrativo é achegada a Angola de uma missão militar soviética composta por 35 membros, a pedido de Dos Santos em 1980, com o objectivo de avaliar as necessidades do exército do MPLA. Ao mesmo tempo, uma delegação angolana foi enviada a Cuba para solicitar ao comandante Fidel Castro um maior engajamento.
Numa recente visita à Alemanha Ocidental para reivindicar apoio para a insurreição armada da UNITA contra o MPLA, o Dr. Jonas Savimbi confirmou, pela primeira vez, a existência de um pacto do bloco comunista. Ele argumentou, “Existem agora em Angola 34.000 cubanos e cerca de 10.000 homens dos países do Pacto de Varsóvia dos quais 5.000 são da Alemanha Oriental”. Esta presença massiva militar em Angola, pelo seu conteúdo ameaçador, poderia arrastar todo o sub-continente para uma guerra devastadora devido o envolvimento de uma ou mais superpotências. Visto por este prisma, José Eduardo dos Santos de Angola pode ser considerado um dos arquitectos do destino político da África Austral.
(Meados de Fevereiro de 1981)” …

“Os habent, cur non loquantur” (Têm boca, porque não falam?)
Desta feita, em nada me sinto diminuído ao enaltecer o dia 28 de Agosto, pela boca do escritor sul-africano APJ van Rensburg e qualquer aniversário natalício do Presidente José Eduardo dos Santos, Pessoa de Bem, Defensor do Povo, Protector do Estado e o Melhor de todos nós.
 Bem-Haja, General Presidente!

Luanda, 27 de Agosto de 2010