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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Governo não discutiu "estados de alma"

Incêndios
Lusa
26 DE OUTUBRO DE 2017  14:11

A declaração do Presidente da República sobre a resposta a dar nos incêndios foi recebida com surpresa e choque pelo Governo, de acordo com a edição do Público hoje

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, disse hoje que o Governo não discutiu em Conselho de Ministro "estados de alma" ou notícias de jornais, tendo dando prioridade à recuperação dos concelhos afetados pelos fogos recentes.

"Não discutimos estados de alma dos membros do Governo, nem notícias da comunicação social", declarou Pedro Marques, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião desta manhã do Conselho de Ministros.

Antes, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Tiago Antunes, havia também referido que em causa estava uma conferência de imprensa de resumo da reunião dos ministros, não um encontro com os jornalistas para abordar "estados de alma".

"Essa matéria não foi discutida no Conselho de Ministros de hoje. 
Não houve qualquer tratamento, nem abordagem dessa matéria", referiu Tiago Antunes, questionado sobre a manchete de hoje do Público: "Governo chocado com Marcelo: 'As coisas estavam combinadas'".

Hoje também, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, afirmou que não ficou chocado com a atuação do Presidente da República na sequência dos incêndios de outubro, mas recusou tecer mais comentários sobre o assunto.

Azeredo Lopes falava na ilha Terceira, nos Açores, logo após o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter falado aos jornalistas a propósito da notícia do Público.

"Não fiquei chocado e, evidentemente, não vou falar por cima daquilo que o senhor Presidente disse", declarou o ministro.

Questionado se se demarca do choque do Governo ou se não houve choque, Azeredo Lopes respondeu: "Nem demarco, nem deixo de demarcar. 
Eu não falo nem por cima, nem por baixo, nem ao lado do senhor Presidente e acho que o senhor Presidente disse tudo".

Marcelo Rebelo de Sousa, questionado se encontra razões para o Governo estar chocado com a sua atuação, disse que "chocado ficou o país com a tragédia vivida" nos incêndios e condenou o "diz que disse especulativo".

"Há duas maneiras de encarar a realidade. 
Uma maneira é o diz que disse especulativo de saber quem ficou mais chocado: se foi A com o discurso de B, se foi B com o discurso de A. 
E, depois, há uma segunda maneira, que é a de compreender que chocado ficou o país com a tragédia vivida, com os milhares de pessoas atingidas", afirmou o chefe de Estado, nos Açores.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

"Único desconforto" do Governo é o que "o país sentiu"

Incêndios
Lusa
27 DE OUTUBRO DE 2017 11:12
























Augusto Santos Silva reage a alegado desconforto nas relações entre o executivo e a Presidência da República

O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que o "único desconforto" do Governo é o que "o país inteiro sentiu" na sequência dos incêndios, garantindo que há "convergência de esforços" para a "muito necessária reconstrução do país".

"O único desconforto que o Governo sente é o desconforto que o país inteiro sentiu, com o facto de ter sido atingido este ano por condições climatéricas absolutamente excecionais e de o seu sistema de Proteção Civil não ter estado à altura na resposta a essas condições e o resultado ter sido tragédias, vidas humanas e muitos bens perdidos", disse à Lusa Augusto Santos Silva, questionado se há algum desconforto nas relações entre o executivo e a Presidência da República.

"Temos um trabalho pela frente que é muito, mas mesmo muito importante, e muito, mas mesmo muito necessário, que é o de reconstruir o país que ardeu, de reformar o sistema de proteção civil para que ele responda melhor em próximas eventualidades e o de reordenar o nosso território e a nossa floresta", comentou, a propósito da manchete do jornal Público desta quinta-feira, segundo a qual o Governo terá ficado "chocado" com o teor da comunicação ao país feito pelo chefe de Estado na sequência dos incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro e que provocaram 45 mortos.

Um trabalho, prosseguiu, de "grande envergadura" e que "exige o empenhamento de todos os órgãos de soberania e de toda a sociedade civil".

"O Governo faz questão de cumprir sempre o seu dever, de prestar toda a informação aos restantes órgãos de soberania, começando pelo Presidente da República", sublinhou o governante.

Para Santos Silva, a "situação presente exige uma convergência, uma concertação de esforços e é nisso que nos devemos concentrar".

Questionado se existe essa convergência, o chefe da diplomacia respondeu afirmativamente: "Sim, acho que se verifica. 
Alguns de nós têm uma tendência para pensar mais nos episódios, deixemos-lhes esses aspetos, e concentremo-nos nós na ação que é precisa, e muita".

Sobre o que tem surgido na comunicação social, Santos Silva sublinhou que tem por princípio "nem fazer declarações em 'off' nem comentar notícias cujas fontes são anónimas, sobretudo quando são mais opiniões do que notícias", acentuando o "preceito do Código Deontológico dos Jornalistas que diz que todas as opiniões devem ser atribuídas".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou na quinta-feira que "chocado ficou o país com a tragédia vivida" nos incêndios e condenou o "diz que disse especulativo".

"Há duas maneiras de encarar a realidade. 
Uma maneira é o diz que disse especulativo de saber quem ficou mais chocado: se foi A com o discurso de B, se foi B com o discurso de A. E, depois, há uma segunda maneira, que é a de compreender que chocado ficou o país com a tragédia vivida, com os milhares de pessoas atingidas", afirmou.

"Eu entendo que a forma correta é a segunda e que quem olha para a realidade do diz que disse especulativo não entendeu e não entende nada do que se passou em Portugal nas últimas semanas", acrescentou, em declarações na ilha Terceira, nos Açores.

Segundo o chefe de Estado, o importante é o país "que, naturalmente, esperou uma palavra dirigida às vítimas e que espera, com urgência, reparação, reconstrução e olhar para o país atingido".

Marcelo: "Chocado ficou o país com a tragédia vivida"

Incêndios
Paulo Tavares
26 DE OUTUBRO DE 2017 13:13

Fontes do governo garantiram que o executivo ficou chocado com o discurso de Marcelo na semana passada. Presidente responde

É uma nova resposta de Marcelo Rebelo de Sousa ao governo e em termos duros. 
Depois de ter assistido a um exercício militar em Praia da Vitória, ao lado da base das Lajes, o Presidente reagiu aos lamentos de fontes do governo ao jornal Público, que garantem que o executivo ficou chocado com o discurso de Marcelo na semana passada, na câmara de Oliveira do Hospital.

O Presidente diz que pouco importa agora o nível de choque dos diversos protagonistas desta história e que quem não compreender isso não entende o que se passou no país nas últimas semanas.

No miradouro da Serra do Facho, sobre a Praia da Vitória, Marcelo começou por explicar que "há duas maneiras de encarar a realidade. 
Uma maneira é o diz que disse especulativo de saber quem ficou mais chocado, se A com o discurso de B, se B com o discurso de A, e depois há uma segunda maneira, que é a de compreender que chocado ficou o país com a tragédia vivida, com os milhares de pessoas atingidas".

Não respondendo diretamente ao choque socialista, o Presidente insiste que o país, naquela altura, depois dos incêndios de outubro, "esperava naturalmente uma palavra dirigida às vítimas e que espera, com urgência, reparação, reconstrução e olhar para o país atingido". 
E aqui Marcelo recorda a urgência da matéria. 
"Rapidamente, primeiro porque esse país não pode ser esquecido e em segundo lugar porque faltam menos dois anos para o fim da legislatura, deste Parlamento e deste governo. 
Há uma urgência".

Depois deste novo conjunto de palavras duras dirigidas ao executivo, o Presidente dá a resposta à pergunta que lançou. 
O que é mais importante ou qual é a forma correta de olhar a realidade? 
"Entendo que a forma correta é a segunda e quem olha para a realidade na base do diz que disse especulativo não entendeu e não entende nada do que se passou em Portugal nas últimas semanas". 
Uma frase recuperada do discurso de Oliveira do Hospital, para quem não tenha compreendido a mensagem. 
Nesta resposta às "fontes do governo" que confessaram o choque do primeiro-ministro, Marcelo deixa uma última nota: "o importante são as vítimas e as vidas perdidas, tudo o resto é totalmente irrelevante".

De pé ao lado do Presidente, o ministro da defesa escutou toda a resposta em silêncio. Quando questionado sobre se também tinha ficado chocado com o discurso de Marcelo em Oliveira do Hospital, Azeredo Lopes limitou-se a dizer "ainda bem que pergunta. 
Não, não fiquei chocado".

Marcelo arrefece polémica com Costa, mas não encerra assunto

Incêndios
Paulo Tavares
27 DE OUTUBRO DE 2017 15:27























Presidente da República evitou todas as perguntas sobre o recente desencontro entre Belém e São Bento, mas cedeu ao comentar declaração de novo ministro da Administração Interna

"Sobre essa matéria, o que tinha a dizer está dito". 
À saída de uma longa visita à escola Gaspar Frutuoso, em Ribeira Grande, S. Miguel, Marcelo Rebelo de Sousa evitou todas as perguntas sobre o recente desencontro entre Belém e São Bento à volta da questão dos incêndios e dos choques em cada palácio com o discurso do outro. 
O Presidente evitou mesmo uma questão direta sobre se este era, para ele, um assunto encerrado.

A única cedência a esta estratégia de acalmia foi uma frase sobre as declarações do novo ministro da administração interna. 
Eduardo Cabrita disse hoje que "Portugal não admitirá que nos dividamos em torno desta tragédia". 
Era tudo o que o Presidente queria ouvir, como que um balde de água para apagar um pequeno incêndio. 
"É exatamente o que eu tenho dito", afirmou Marcelo, "tenho apelado a um consenso, a um pacto, a uma convergência de regime sobre essa matéria. 
Portanto, se for possível haver essa convergência sobre o plano de emergência, sobre a solução que vier a ser adotada - o mais rápido possível, mas devidamente estudada -, sobre a prevenção e combate e também sobre a floresta, eu acho que isso era muito bom para o país".

Questionado sobre se algo tinha mudado no papel do Presidente nesta "nova fase" - o próprio tinha afirmado à chegada aos Açores que o país político vive agora uma nova fase, depois da rejeição da moção de censura apresentada pelo CDS -, Marcelo sublinhou que o Presidente da República está onde sempre esteve, "com o mesmo mandato, com os mesmos poderes, com a mesma leitura desses poderes e com as mesmas exigências". Quais? 
Procurar: "compromissos nacionais de regime, que o governo seja forte e governe, e que dure toda a legislatura, que a oposição seja forte e constitua uma alternativa para o caso dos portugueses, no momento das eleições, quererem escolher uma outra solução de governo". 
Para quem tenha dúvidas, o Presidente sublinha: "Foi assim, é assim, será assim. 
Eu não mudo. 
Por detrás de uma aparência de uma pessoa muito serena e tranquila, sou muito determinado naquilo que são as linhas do mandato, que aliás corresponde àquilo que recebi dos eleitores, com base no que me comprometi a fazer na campanha eleitoral. 
Não vai haver mudanças".

E, se o homem não muda, mudaram as circunstâncias? 
Claro. 
"É evidente que as circunstâncias são complexas no momento. 
O grande desafio do ano e meio que passou foi o desafio orçamental e da consolidação e estabilização do sistema bancário. 
Foram vencidos. 
O grande desafio neste momento é o do crescimento económico e da criação de emprego, por um lado, e ao mesmo tempo fazer face a problemas que irromperam. 
Um deles tem uma prioridade política óbvia, que uma resposta cabal a este problema da floresta, até porque é a resposta a um problema que tem a ver com o crescimento económico e a justiça social, que é o problema das desigualdades entre os diversos portugais". 
Não respondendo a questões sobre o seu relacionamento com o primeiro-ministro, acabou por falar do tema incêndios e rematou dizendo: "se virem, as linhas essenciais são as mesmas, o acento tónico é que muda".

Esta conversa com os jornalistas aconteceu à saída de uma aula sobre cidadania, para alunos do 5º e 6º anos, que durou mais de uma hora. 
Ao responder a uma questão sobre como era o seu dia típico enquanto Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o caos de algumas das suas visitas, em Portugal e no estrangeiro, e deu um exemplo de como nem sempre as coisas estão na sua mão: "na visita que fiz pelos concelhos onde houve a tragédia há uma semana e meia, eram os próprios presidentes de câmara ou de junta que me queriam mostrar mais lugares. 
Mais casas, mais campos, mais escolas que tinham ficado danificadas, ou capelas. 
Ou eram populações que estavam à beira da estrada a pedir para parar e o Presidente não pode dizer adeus e seguir porque aquelas populações estão a sofrer uma fase muito difícil da sua vida". 
Pode ter sido apenas uma resposta inocente a uma pergunta inocente, mas pode encontrar-se aqui uma explicação e uma resposta aos que têm criticado a tournée de afetos da semana passada pelo centro do país

Costa não nega tensão com Marcelo e responde: "Tenho nervos de aço"

Governo
DN
27 DE OUTUBRO DE 2017 17:09

Primeiro-ministro está certo de que será retomado "excelente esforço de cooperação institucional" com o Presidente

António Costa falou esta sexta-feira sobre a tensão do Governo com Belém, na sequência do discurso crítico do Presidente sobre a atuação do Governo durante e após os grandes incêndios de Pedrógão, em junho, e do norte e centro do país, em outubro.

De visita a Vila Nova de Poiares, o primeiro-ministro não negou que se atravessa um momento conturbado entre S. Bento e Belém, mas respondeu dizendo que, tal como o Marcelo o descreve, é um "otimista, às vezes irritante", e portanto tem "a certeza" de que será retomado o "excelente esforço de cooperação institucional. 
Antes, ironizara: "Tenho nervos de aço", refere o Observador.

"Tenho a certeza que aquilo que tem corrido bem nestes dois anos não vai deixar de correr bem nos próximos", disse ainda o primeiro-ministro.

Já esta sexta-feira, questionado pelos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa, que está nos Açores, disse que "sobre essa matéria, o que tinha a dizer está dito". 
Marcelo Rebelo de Sousa evitou todas as perguntas sobre o recente desencontro entre Belém e São Bento à volta da questão dos incêndios e dos choques em cada palácio com o discurso do outro. 
O Presidente evitou mesmo uma questão direta sobre se este era, para ele, um assunto encerrado.

A única cedência a esta estratégia de acalmia foi uma frase sobre as declarações do novo ministro da Administração Interna. 
Eduardo Cabrita disse hoje que "Portugal não admitirá que nos dividamos em torno desta tragédia". 
Era tudo o que o Presidente queria ouvir, como que um balde de água para apagar um pequeno incêndio. 
"É exatamente o que eu tenho dito", afirmou Marcelo, "tenho apelado a um consenso, a um pacto, a uma convergência de regime sobre essa matéria. 
Portanto, se for possível haver essa convergência sobre o plano de emergência, sobre a solução que vier a ser adotada - o mais rápido possível, mas devidamente estudada -, sobre a prevenção e combate e também sobre a floresta, eu acho que isso era muito bom para o país".

Questionado sobre se algo tinha mudado no papel do Presidente nesta "nova fase" - o próprio tinha afirmado à chegada aos Açores que o país político vive agora uma nova fase, depois da rejeição da moção de censura apresentada pelo CDS -, Marcelo sublinhou que o Presidente da República está onde sempre esteve, "com o mesmo mandato, com os mesmos poderes, com a mesma leitura desses poderes e com as mesmas exigências". Quais? 
Procurar: "compromissos nacionais de regime, que o governo seja forte e governe, e que dure toda a legislatura, que a oposição seja forte e constitua uma alternativa para o caso dos portugueses, no momento das eleições, quererem escolher uma outra solução de governo". 
Para quem tenha dúvidas, o Presidente sublinha: "Foi assim, é assim, será assim. 
Eu não mudo. 
Por detrás de uma aparência de uma pessoa muito serena e tranquila, sou muito determinado naquilo que são as linhas do mandato, que aliás corresponde àquilo que recebi dos eleitores, com base no que me comprometi a fazer na campanha eleitoral. 
Não vai haver mudanças".