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quinta-feira, 24 de março de 2016

Crise na Sonangol faz tremer Angola

 11 julho 2015

Luanda - Uma verdadeira onda de choque continua a varrer diversos círculos políticos angolanos, depois da divulgação, em primeira mão pelo Expresso, de um relatório interno que destapa o descalabro em que a gestão da Sonangol mergulhou nos últimos tempos.
Fonte: Expresso

Muitos governantes foram apanhados em contramão perante números aterradores que ilustram hoje a falência do modelo operacional da petrolífera angolana.

Se a surpresa não poupou até o próprio Ministério dos Petróleos — o organismo governamental que tutela a Sonangol —, o relatório, ao ter provocado um clima de mal-estar generalizado ao nível da cúpula do MPLA, constituiu um rude golpe na sua reputação. 
Há quem, por isso, prefira ver neste bombástico documento, o verdadeiro retrato do estado de governação do país.

Em alguns meios políticos, o relatório é descrito também como sendo um revés à antiga gestão de Manuel Vicente, o verdadeiro mentor da projeção internacional da Sonangol, que hoje exerce as funções de vice-presidente da República.

“Ele teve o mérito de ter criado tração para muitos sectores da economia, assumindo um risco, discutível, que, após a sua saída, não soube ser gerido com habilidade”, defende o geólogo Filipe André.

Já o empresário do ramo petrolífero, Lago de Carvalho, antigo diretor-geral-adjunto da Sonangol, reconhece que “o problema da companhia é que, ao desviar-se do seu negócio principal, foi-se desgastando em recursos e em pessoal, viu fragilizar-se o controlo das operações petrolíferas e complicou as contas”.

Neste jogo de pingue-pongue, ninguém se esquece, no entanto, que o atual presidente da companhia, Francisco de Lemos, sempre foi, durante muitos anos, o braço direito de Manuel Vicente e responsável pelo pelouro das finanças.

Ao presidente do Conselho de Administração da Sonangol não são ainda poupadas críticas por ter desencadeado uma alegada vaga de perseguição contra alguns antigos colaboradores mais próximos de Manuel Vicente.

O seu relatório, visto pelo economista Lago de Carvalho como “a repetição do mesmo”, é também por este censurado por “não ter redefinido”, no documento, “uma orientação estratégica da Sonangol“.

Uma fonte do Ministério das Finanças lembra ainda que “foi com Francisco de Lemos que, entre 2012 e 2013, a Sonangol desperdiçou mais dinheiro em subcontratos, contratos de assistência técnica e com a contratação de consultorias”.

E o recurso a consultores portugueses, nem sempre bem vistos, está a ser mal encarado por alguns jovens quadros da Sonangol, que mantêm com aqueles uma relação de conflitualidade.

“Alguns desses consultores, não suportando a humilhação de que são vítimas, estão a preferir ir-se embora”, confidenciou ao Expresso um funcionário da empresa.

As companhias petrolíferas estrangeiras não se cansam também de lamentar “a contínua desorganização e arrogância” que caracterizam o comportamento de muitos dos funcionários da Sonangol.

“É difícil suportar a guerra entre departamentos, que se atropelam em reuniões sem fim. 
As competências são sufocados pela luta de grupos”, diz um consultor norueguês.

E o mais grave é que “há por lá muita gente elevada a cargos de chefia sem competência nenhuma e apenas preocupados em negociar comissões, mesmo em regime de aprendizagem”, desabafa um engenheiro geofísico da Schlumberger.

Por causa de práticas lesivas da imagem da Maersk, por parte de alguns altos responsáveis da Sonangol, a companhia dinamarquesa chegou mesmo a ameaçar retirar-se da prospeção do pré-sal angolano.

No epicentro deste episódio, esteve o desvio, para fins particulares, de cerca de 30 milhões de dólares, que eram destinados a apoiar obras de carácter social.

“Só uma intervenção ao mais alto nível do poder político, evitou o pior...”, disse uma fonte da Maersk.

A empresa queixar-se-ia ainda da má gestão, por parte da Sonangol, de uma sonda cuja mobilização e desmobilização obrigou a desembolsar, em vão, pelo respetivo aluguer, mais de 100 mil dólares por dia...

Com a crise em alta a impor a urgente revisão crítica de algumas operações e a redução de contratos, o presidente da Sonangol mandou encerrar várias representações da companhia nos Estados Unidos, Brasil e Singapura.

Restituir credibilidade à Sonangol, renegando a cultura de dependência de terceiros para a salvar de um naufrágio, é agora um dos pontos de meditação, que estão a ocupar o tempo do Presidente Eduardo dos Santos durante as férias que goza neste momento em Espanha.

O que a comissão de avaliação sobre a sonangol devia analisar - Mario Cumandala

20 outubro 2015

Luanda - Em Angola, peritos em economia na maioria das vezes, são aqueles que defendem uma política macroeconómica não ortodoxa, e que no fim, a bajulação se torna notavelmente no ingrediente mais importante da análise em curso por estes gurus. Não pretendo aqui assumir que sou um perito no sector dos petróleos, mais tendo passado pela escola da BP Angola, por cinco anos como analista comercial, tenho uma visão humilde sobre o sector, e é esta visão que pretendo partilhar.
Fonte: Club-k.net

Partindo do anúncio feito no dia 15 de Outubro de 2015, durante a cerimónia solene de abertura do ano Parlamentar que dizia: “ o Executivo criou também uma Comissão de Avaliação para estudar a situação da Sonangol e do sector dos petróleos e propor as bases da sua reestruturação e de um modelo de gestão mais eficaz e eficiente”, disse Manuel Vicente, um insider do sector que o tornou bilionário e em representação do Chefe de Estado, Pai da Nação e Arquiteto da Paz.

Em economia moderna, eficiência na gestão de uma firma, é em si uma arte que não é para neófitos aqui desmascarados no discurso a Nação, como os gestores não tendo sido eficazes e eficientes, se calhar desde a incorporação da Sonangol que transitou de unidade publica durante o mono e agora como uma EP. 
O estranho é esta EP só apresenta os seus relatórios de contas ao Presidente e não ao Sector Empresarial Publico ou ISEP ambos pertencentes ao Ministério da Economia. 
Será que existe alguma razão para uma empresa pública não prestar contas a um órgão oficial por onde passam as outras EPs e comparticipadas? 
Esta atitude é no mínimo suspeita. Já dizia o velho adagio que “ quem não deve, não teme”.

A Sonangol EP, sempre viveu momentos de interferência do Executivo ao tentar adoptar os modelos de gestão modernos contra a mão invisível do Executivo com fins não muito lineares. 
O Despacho Presidencial 131/14 de 11 de Junho é mais do que claro em ractificar aquilo que pode ser subentender a outorga de um atestado de incompetência a Sonangol em termos de gestão imobiliária pela sua subsidiária SONIP. 
O que não se sabe ate aqui, é a totalidade dos valores investidos pela Sonangol nas centralidades do Kilamba, Cacuaco, Dundo diretamente ou por troca de petróleo com a China.

Nunca achei que uma empresa como a Sonangol por exemplo devia meter‐se em negócios de criação de aquários para reprodução de peixe. 
Quando isto acontece, além de fugir‐se do objeto social para o qual uma petrolífera é vocacionada, (perguntem a BP que já o fez) não funciona. 
Por isso, foi um erro do Executivo ter autorizado a Sonangol, envolver‐se em projetos de habitação, fábricas de combustíveis, Fabrica de Cimento do Kwanza Sul, ou no sector da aviação, etc. 
A Sonangol, por ter sido o banco de alguns, a passada e presente má gestão, levou a petrolífera a falência técnica que vive hoje mesmo que esta ainda masoquistamente o tente negar. 
É que os números não mentem, neste caso específico, eles contam uma história de desvios e roubos pelo próprio Executivo e gestores passados e presentes. 
Esta conclusão só pode ser desafiada por um analista ou economista com licenciatura em bajulação.

Que pena que só os Executivos da Petrobras no Brasil, é que são maus gestores e muitos deles já nos calabouços. 
Os da Sonangol e MinPet, aqui são génios, e circulam em liberdade ocupando cargos de relevo no Executivo, isto porque nada de errado fizeram, ou fizeram? 
A comparação mais rudimentar entre as duas petrolíferas aos dois Chefes dos Executivos destes países, conclui que os pecados cometidos do outro lado do atlântico, são também comuns deste lado. 
Então porque será que a Sra. Dilma será destronada pelo Senado e aqui isto seria golpe de estado?

Assim sendo, vamos propor aqui algumas premissas económico‐cientificas e com cenários possíveis. 
Angola com um PIB que em 2012 que foi de USD 126.2 biliões e que posicionou a economia angolana no mesmo ano no 66o lugar. 
Se tomarmos em conta que o preço do petróleo rondou acima de USD 100 o barril, Angola no mínimo arrecadou cerca de USD 400 biliões desde 2012 até 2014, data do início da queda dos preços do petróleo e que levou a actual crise segundo os melhores economistas do regime. 
Mas que o país não sabe como foi gasto esse dinheiro todo, ninguém pode negar.

Só em termos de curiosidade, isto representou uma fatia de USD 16.6 Milhões para cada um dos 24 milhões de habitantes durante o triénio em análise. 
Se PIB em referencia fosse distribuído para os angolanos esta teria sido a fatia cabimentada para cada um de nós. 
Tristemente, para os 99% da populaça angolana, a aritmética mais realista foi a de sobreviver com USD 1 dólar dia vezes 3 anos.

Consideremos então os dados da economia da Arabia Saudita, em contraste com os do nosso País aqui referenciados como também país produtor do crude e membro líder da OPEP. Estes indicam que este gigante, em 2012 teve o seu PIB avaliado em USD 740.5 biliões. Usando a mesma lógica acima, isto leva‐nos a receitas (Citéris Paribus) de USD 2.3 Triliões para um PIB acumulados em 3 anos.

Aqui está o problema que o Executivo tem que urgentemente estudar, entender as implicaçoes para o nosso PIB e apresentar a uma resposta patriótica. 
Angola como pais membro da OPEP com plenos direitos de voto, deve sim comparativamente contestar e reconhecer que com estas reservas financeiras, a Arabia Saudita que hoje apesar da crise seu PIB rondou acima de USD 700 Biliões em 2014, não pode por em causa os PIBs de outros países membros como Angola. 
Já não é segredo que os custos em nosso offshore situar‐se entre USD 60 a 80. 
Note‐se que para aqueles que conhecem os contratos de partilha de Angola ou na sigla Inglesa “PSA”, quando o preço do crude for baixo, ganham os membros externos do grupo empreiteiro e não a concecionária Sonangol. 
O preço baixo do crude angolano só beneficia as petrolíferas estrangeiras que operam no país muito embora levem mais tempo para recuperar seus investimentos.

A Arabia Saudita, pode sim financiar o seu PIB sem recorrer a China ou Banco Mundial, porque com um custo de exploração do barril na casa dos USD 20, eles tudo podem, inclusive derrotar os Estados Unidos com o seu novo Eldorado do petróleo das rochas ( Xisto) nesta guerra de preços.

Se a Comissão de Avaliação, não analisar a relação de Angola com a OPEP ao projetarem o novo modelo de Gestão da Sonangol, então estaremos a querer tapar o sol com a peneira. 
A meu ver, a atual relação de Angola com a OPEP é enganosa.

Angola deveria deixar bem claro na próxima reunião da OPEP, que a Arabia Saudita, considere urgentemente cortar sua produção, para possibilitar a subida do preço do crude nos mercados internacionais, ou então, Angola estará de fora da OPEP nos próximos meses. Isto não é chantagem, mas senso comum e patriotismo.

Todavia, acredito piamente que só um Executivo com “bolas” do tamanho da Eiffel Tower ou pelo menos do edifício sede da Sonangol, poderá propor e sustentar uma decisão colossal e dessa magnitude.

Feitas as contas, vejo Portugal, Brasil, França, India e China como países de maior relevância para a economia de Angola do que a Arabia Saudita, governada por uma ditadura que só pensa em si e na sua família real.

Aqui também, recomenda‐se que esta magna Comissão não misture o tema da diversificação da economia nacional, com o modelo de gestão a propor para a Sonangol. 
Para que Angola produza com sucesso, café, cana‐de‐açúcar, sisal, milho, óleo de coco, amendoim, batata, repolho, e outros artículos, precisará de um sector agrícola mas vibrante e de um Ministro da Agricultura, que sabe o que diz, e um BDA mas eficiente e menos incompetente como o atua para apoiar o sector..

Quanto aos investimentos no sector minério, sobretudo nas áreas de diamantes, petróleo, ferro, cobre, manganês, fosfatos, sal, mica, chumbo, estanho, ouro, prata e platina, deverão conhecer novos investimentos. 
Mas a vara mágica aqui devera ser um novo regime de exploração destes minérios que quando entregue a empresas angolanas que já tenham alguma experiencia no ramo, e com parcerias estrangeiras, estas possam mesmo apresentar resultados.

A província do Namibe como exemplo, possui grandes depósitos de urânio, as Lundas com grandes depósitos de diamantes e Cabinda com mais de 50% do ouro negro. 
Mas se olharmos para as assimetrias provinciais, já há quem mesmo diga que são propositadas pelo Executivo para essas regiões.

Quando ao parque industrial, aqui o Executivo devia ter vergonha e reconhecer o quanto destruiu este sector. 
A produção de açúcar, cerveja, o cimento, madeira e o refino de petróleo, são para Angola sectores que deviam merecer não só proteção contra Portugal, Africa do Sul, Brasil e China mais aplicando mesmo as leis da própria Organização Mundial do Comercio, isto por estas serem indústrias e sectores ainda embrionários.

Mas quando se tem Ministros e governadores que não pensam, até que o Camarada Presidente pense por eles. 
A evidência deste sintoma vergonhoso esta nos discursos de todos os membros do Executivo que sempre quando falam e publico, têm que dar credito ao Chefe, não sei porque eles são pagos se o chefe tem que pensar tudo. 
Resultado, é o que vemos, o colapso total do parque industrial ao ponto não podermos produzir sal suficiente para consumo interno. 
E agora vem a BIOCON a anunciar o fecho de sua produção em Janeiro, por falta de matérias‐primas tais como a cana‐de‐açúcar e mandioca. 
Sr. Presidente criar para já uma comissão de avaliação do sector.

No Sector dos transportes por exemplo, o Executivo engana‐se em concluir que tem feito o seu melhor. 
Não se pode falar do crescimento do PIB, sem este sector funcionar como alavanca de outros sectores. 
Aqui, se a Comissão de Avaliação achar que no novo modelo de gestão a propor a Sonangol, esta deve investir neste sector, teriam o apoio de muitos angolanos. 
Se não vejamos:

O sistema ferroviário de Angola, composto por cinco linhas que ligam o litoral ao interior, pode‐se destacar o Caminho de Ferro de Benguela ( CFB) Caminho ferroviário de Luanda ( CFL) Caminho Ferroviário de Moçâmedes Ferroviário (CFM). 
Sendo que o CFB faz a conexão com Catanga na RDC porque então o corredor do Lobito ainda não esta a trazer mais‐valia para o país? 
Aqui há uma tremenda falta de eficácia e eficiência. 
Os altos custos de investimento feitos neste sector não justificam os ganhos e receitas actuais. 
Haja seriedade Executivo.

Os portos de Luanda, Benguela, Lobito, Namibe e Cabinda que deviam ser os mais movimentados, hoje dependem de embarcações Chinesas que descarregam em nome da Casa Militar sem muitas vezes pagarem os impostos aduaneiros. 
Isto e má gestão.

Aqui recomenda-se também uma Comissão de Avaliação Sr. Presidente.

Não deixaria aqui de mencionar que o Aeroporto de Luanda, o actual, e o que esta em construção, devem merecer a atenção tecnocrática do Executivo. 
A gestão de projetos dessa natureza, não devem ser politizados como é o caso do aeroporto de Luanda a extrapolar as datas de acabamento sem que ninguém seja penalizado pelos atrasos. 
Enquanto isto, o Pais perde anos para se tornar em uma placa giratória, mesmo 12 anos depois da chegada da paz, o bem precioso e condição fundamental para o desenvolvimento.

Também que haja seriedade, eficiência e eficácia na aventura que o Executivo tem tentado com a Bolsa da Divida e de Valores de Angola (BODIVA) como mercado secundário da divida pública. 
A divida corporativa, quando introduzida na base de contabilidades e auditorias das empresas nacionais e o preconizado mercado accionista, quando mal geridos, estarão lançados os fundamentos de mais uma crise económica que só será nossa.

Voltando para a Economia da Arabia Saudita, sabemos que esta é baseada na exportação do Petróleo, mas com um forte controlo governamental. 
Na Arabia Saudita, não existem as BP, Chevron, Total, Cabinda Golf, Shell etc. 
Neste país, a exploração do crude é da responsabilidade da a ARAMCO, o que a Sonangol não consegue em mais de 30 anos de sua existência.

Aqui, notamos também, que mesmo ocupando o 2o lugar em termos de reservas mundiais, somente atras da Venezuela, a Arabia Saudita, é o maior exportador de petróleo do mundo. Esta é de facto a razão de sua posição como líder incontestável da OPEP. 
Sendo que o sector petrolífero é responsável por 75% das receitas orçamentais, 40% do PIB e 90% das receitas de exportação com somente 35% do PIB proveniente do sector privado a sua economia e assim mais vibrante e preparada para qualquer desaceleração económico, Angola não tem esta posição.

Ser liderado por um pais com essas características, que tudo que pretende é defender a sua posição no mercado internacional do crude, não é uma opção saudável para Angola. 
O Brasil não é membro da OPEP e não vive desvantagens em termos de produção e exportação por não ser membro do cartel. 
Então porque Angola ingressou no Cartel? 
Para ser assim penalizada?

As Comissão de Avaliação assim instalada para a Sonangol e outras futuras para os sectores acima mencionados, poderão servir como linha da frente ao combate a crise económica com que o país se debate hoje evitando outras vindouras.

Republicanos querem investigar doação de empresa angolana a governador

05 agosto 2015

EUA - O Partido Republicano dos Estados Unidos quer uma investigação a uma doação feita a uma organização de apoio ao governador da Virgínia por uma companhia angolana, cujas actividades são misteriosas, mas que parece estar ligada à Sonangol.
Fonte: VOA

Na semana passada, o Comité de Acção Política Bem Comum anunciou que ia devolver um cheque de 25.000 dólares que havia recebido de uma companhia sediada em Houston, a Glinn USA Investments.

O dinheiro foi devolvido depois da Glinn USA se ter recusado a assinar um documento a confirmar que a doação respeitava todas as leis federais e do Estado da Virgínia, disse o director daquele comité.

Os comités de acção politica são organizações que existem para angariar fundos e fazer campanha em benefício de um candidato, mas a doação de fundos está regulamentada por uma série de leis.

Neste caso, este comité usa fundos para apoiar o governador da Virgínia Terry McAuliffe

As dúvidas sobre a doação surgiram depois da agência de notícias Associated Press ter levantado a possibilidade de ligações da Glinn Investments à companhia estatal angolana Sonangol.

Em Houstom, a Glinn e a Sonangol têm a mesma morada e o mesmo agente e advogado, Gary Dugger.

Dugger disse ao jornal Washington Post que as duas companhias não estão relacionadas.

A empresa aluga um escritório de um edifício onde opera a Sonangol e a morada regista da Glinn USA é o seu escritório embora, disse o advogado, eles não operem a partir desse escritório.

Brian Zuzenak, director do comité de acção de apoio ao governador, disse que o cheque foi devolvido depois da Glinn USA se ter recusado a assinar um documento certificando que a doação respeitava todas os requisitos legais.

O advogado Dugger afirma que a companhia tinha decidido pedir ela própria a devolução do cheque depois da terem recebido uma chamada da Associated Press por não querer envolver-se em confusões. O dinheiro não veio do exterior e a Glinn é uma empresa legitima, disse o advogado.

Uma busca na internet revela que Sebastião Gaspar Martins aparece como sendo o presidente, enquanto o director é Gianni Martins.

A VOA soube que Gianni Martins é filho de Sebastião Martins, que foi até ao ano passado membro do conselho de administração da Sonangol e presidente da Sonangol Pesquisa e Produção, uma subsidiária da Sonangol.

Embora o nome da companhia registada no Texas tenha a designação de investimentos, desconhece-se exacamente quais as actividades da Glinn Investments.

Entidades ligadas ao Partido Republicano pedem agora que uma auditoria a todas as doações feitas ao comité de acção política do governador da Virgínia.

A propósito da falência técnica da Sonangol - José Matuta Cuato

24 julho 2015  


Luanda - Este mês foi anucianda na imprensa portuguesa e depois retomada pela imprensa nacional, a falência técnica da Sonangol. Esta notícia que sai numa altura em que a economia nacional vive momentos menos abonatório, deixou os angolanos preocupados tendo em conta a importância estratégica da Sonangol para a economia nacional.
Fonte: Opais
A possível falência técnica da Sonangol significa que, a empresa teria um passivo manifestamente superior ao activo. 
O estar em falência técnica não implica que a empresa seja obrigada a declarar falência (embora o torne provável). 
A maioria das falências acontece por crises de liquidez, e muitas empresas entram em falência a partir de situações líquidas positivas, ou seja, vão à falência sem estarem previamente em falência técnica.

O risco de falência depende de factores internos e externos, como a qualidade da gestão, o grau de concentração de clientes, a capacidade de financiamento ou até o próprio sector de actividade da empresa.

Após a análise do relatório de gestão e contas e o parecer dos auditores referente ao exercício de 2014, o que me ocorre dizer é o seguinte:

O risco de falência técnica é evidente apesar de que não podemos prever eventos futuros de forma exacta, apenas podemos pensar em termos de probabilidades de ocorrência, tendo em conta o Altman Z-score, que é uma fórmula usada para prever a probabilidade de falência nos próximos 2 anos.

No caso da Sonangol, o Altman Z-score calculada com base nos dados das demonstrações financeiras de 2014, diz nos que, a Sonangol encontra-se numa zona cinzenta, que obriga neste momento a petrolífera nacional a mudar o seu modelo de gestão e tendo em conta momento de incertezas que o mercado petrolífero está sujeita a nível global. 
Por outro lado, existem várias reservas no parecer do auditor independente as contas de 2014.

Em vários casos, o auditor deparou-se com várias limitações de âmbito técnico no seu trabalho, em virtude de não dispor de informação que lhe permitisse concluir o seu juízo sobre as demonstrações financeiras. 
E também a Sonangol, no final de 2014 apresentava um grau de liquidez reduzido muito abaixo do aceitável, o que quer dizer que os meios monetários da Sonangol não cobrem as suas dívidas correntes de curto de prazo.

Está claramente provado que a Sonangol deve mudar o seu modelo de gestão.

E este modelo deve basear-se nos Princípios da Vida de Serviço Público, nomeadamente o desprendimento, integridade, objectividade, responsabilização, abertura, honestidade, e liderança. 
Importa ainda referir que empresas públicas como a Sonangol, que desenvolvem a actividade de gestão privada, necessitam de uma grande liberdade de acção no seu funcionamento. 
A Sonangol precisa desta liberdade para poder desempenhar com êxito a sua actividade, porque Gestão racional e sadia das empresas públicas contribui activamente para a melhoria das condições sociais.

E por último, é preciso aplicar as boas práticas de gestão e os problemas que temos de má gestão de empresas públicas, nomeações políticas, alguma incompetência e favorecimentos, são comuns a outras democracias, mas, devemos investigar os problemas e desenvolver instituições para mitigá-lo.