quarta-feira, 1 de julho de 2015

FMI: Grécia entrou em incumprimento

FUTURO DA GRÉCIA

Grécia não pagou esta terça ao FMI e pediu adiamento do reembolso para novembro. 
Ministro das Finanças admite cancelar referendo. 
Governo ainda quer negociar. 
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Liveblog Arquivado
1/07/2015   0:14 Maria Catarina Nunes
O dia é histórico para a Europa, mas o desfecho da situação da Grécia pode ainda tardar. 
É o primeiro país de economia avançada a entrar incumprimento, mas isso não significa um default irreversível.

Esta quarta, pelas 10h30, as propostas de Tsipras voltam a estar em cima da mesa em mais uma reunião do Eurogrupo. 
Os ministros europeus das Finanças podem dar continuidade às negociações e ao debate.

O liveblog do Observador regressa pela manhã com novas notícias.

Obrigada por acompanhar-nos desse lado.

30/06/2015   23:45 Maria Catarina Nunes
"Grécia está em incumprimento", diz FMI

“Confirmo que o reembolso de 1.5 mil milhões que a Grécia deve ao FMI não foi recebido hoje. Informamos o nosso Quadro Executivo que a Grécia está agora em incumprimento e só pode receber o financiamento do FMI quando o atraso for compensado”, lê-se no comunicado que o FMI enviou para as redações, citando Gerry Rice, director de comunicação do FMI.


“Posso ainda confirmar que o FMI recebeu hoje um pedido das autoridades gregas para uma extensão do cumprimento do reembolso grego que venceu hoje e que segue agora para o Quadro Executivo do FMI em curso”, diz ainda o documento.

30/06/2015   23:26 Maria Catarina Nunes
O FMI já confirmou que não recebeu o reembolso: a Grécia está oficialmente em incumprimento, avança a Associated Press.


30/06/2015   23:07 Maria Catarina Nunes
Prazo de pagamento termina oficialmente

É oficial: o prazo para o pagamento do reembolso de cerca de 1,6 mil milhões de euros expirou. 
A Grécia acaba de perder o acesso ao financiamento existente.

A dívida devia ter sido saldada até às 22h (23h em Portugal) e Dragasakis pediu esta tarde, na conferência extraordinária da zona euro, o prolongamento do prazo de pagamento até novembro. 
O adiamento evitava que o país entrasse em incumprimento com o FMI, mas agravaria a situação financeira que já é crítica.

Com este pedido, a Grécia utiliza uma disposição prevista na carta do FMI que permite “a pedido de um Estado membro” e sem votação “adiar” a data de um reembolso com um limite de 3 a 5 anos, que corresponde à duração dos seus empréstimos.


Esta disposição foi utilizada duas vezes na história do FMI, ambas em 1992, pela Nicarágua e pela Guiana, ex-Guiana Britânica.

30/06/2015   22:21 Helena Pereira
Em entrevista à CNN, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, diz que a Grécia entra em incumprimento às 23h.















30/06/2015   22:17 Helena Pereira
FMI reunido de emergência

O FMI está reunido esta noite de urgência para avaliar o pedido do Governo grego para o adiamento para novembro do reembolso de 1,6 mil milhões de euros.

30/06/2015   22:03 Maria Catarina Nunes
Governo grego pede novo prazo de pagamento até novembro e admite cancelar o referendo

A Grécia pediu ao FMI para estender o prazo de pagamento até novembro, revelou o vice-primeiro-ministro Ioannis Dragasakis entrevistado pela televisão pública ERT TV. 
O pagamento de 1,6 mil milhões de euros deveria ser feito até às 23h de Lisboa.

Ao mesmo tempo Reuteurs avança que o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, ainda admite cancelar o referendo. 
A notícia surge depois da conferência extraordinária de hoje entre os ministros das Finanças da zona euro. 
Se houver um novo empréstimo, o governo grego recua.

30/06/2015   21:07 Edgar Caetano
Grécia: "Estamos a fazer esforço adicional" para ter novo plano

O primeiro-ministro-adjunto, Yannis Dragasakis, foi à televisão estatal revelar que a Grécia enviou uma carta ao Eurogrupo que “estreita ainda mais as diferenças”.

“Estamos a fazer um esforço adicional”, disse Dragasakis. 
“Há seis pontos onde este esforço pode ser feito. 
Não quero entrar em pormenores mas os temas incluem pensões e mercado de trabalho”.

Yanis Varoufakis deverá apresentar uma lista de seis pontos aos outros ministros do Eurogrupo, que voltam a falar ao telefone 10h30 de Lisboa, amanhã.


30/06/2015   20:59 Edgar Caetano
Multidão imensa na defesa do "sim" no referendo


30/06/2015   19:24 Edgar Caetano
Eurogrupo recusa proposta de Tsipras. 
Dijsselbloem: "Novo programa terá condições mais duras"

A teleconferência dos ministros das Finanças da zona euro já terminou e o presidente da instituição, Jeroen Dijsselbloem, já falou aos jornalistas. 
Ideia principal: “qualquer novo programa para a Grécia virá com condições mais duras”.

Como se esperava, os ministros não acolheram a sugestão de Tsipras, como se pode ver pelas declarações do ministro finlandês, Alexander Stubb. 
Não há possibilidade de um corte na dívida agora, diz o ministro, acrescentando que um novo pacote terá de seguir os “trâmites normais”.













































30/06/2015   19:17 Edgar Caetano
Vídeo curto da manifestação pelo "Sim" ao referendo

30/06/2015   19:14 Edgar Caetano
Fundo europeu lamenta que programa grego termine hoje

Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (a quem a Grécia pede novo programa) mas também do extinto Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (que emprestou à Grécia), diz que “é lamentável que o programa termine hoje sem qualquer acordo subsequente e que os resultados positivos do programa sejam postos em risco”.

A nota, citada pelo Financial Times, explica que, com o final do programa à meia-noite (23 horas em Lisboa) a tranche de 1,8 mil milhões deixará de estar disponível e os 10,9 mil milhões vocacionados para recapitalização da banca serão cancelados.


30/06/2015   19:10 Maria Catarina Nunes
"Ficamos na Europa"

Milhares de pessoas juntaram-se hoje na Praça Syntagma, em Atenas, numa concentração a favor do “sim” ao referendo do próximo domingo. 
De acordo com a Bloomberg, que falou com a polícia local, estiveram entre 10 a 12 mil pessoas com cartazes onde se lia “Ficamos na Europa”. 
Quis a chuva que muitos manifestantes abandonassem o local, mas muitos gregos resistiram. 
O protesto surge depois da concentração de ontem a favor do “não”, que levou para a rua cerca de 13 mil pessoas.

30/06/2015   18:58 Helena Pereira
A JSD enviou esta terça-feira uma carta aberta ao secretário-geral do PS, António Costa, questionando-o sobre como votaria no referendo grego de dia 5.

“A história da Humanidade é, como sabe, uma história de incerteza, de mudanças e de conflito. 
É uma história de confronto e de discordância, mas é também uma história de convergência, de encontro e de compromisso. 
Disso são prova os séculos de história da Europa e do nosso próprio país. 
A nossa participação na construção do projeto europeu tem sido, creio que nisso concordamos, em larga medida positiva. 
Não será por acaso que tanto o PS como o PSD se mantêm partidos fortemente europeístas.

A situação que a Grécia, a Zona Euro e o projeto europeu enfrentam é difícil. 
Não é só fruto de opções políticas erradas mas também de visões diferentes para o futuro deste extraordinário projeto de paz e estabilidade. 
O povo grego não pode hoje aceder às suas poupanças e pensões, vivendo uma verdadeira emergência social.

Discordo, como calculará, do rumo seguido pelo governo do Syriza em coligação com os Gregos Independentes, da extrema-direita. Confesso-me confuso, no entanto, com a posição de V. Exa., enquanto secretário-geral do Partido Socialista: não sei se defende que Portugal se deve colocar isoladamente do lado da Grécia ou se, pelo contrário, posicionar-se junto dos restantes parceiros europeus. 
Não sei eu, nem sabem os eleitores portugueses, que merecem um esclarecimento.

Na ressaca da eleição do partido liderado por Alexis Tsipras, há meros cinco meses, V. Exa. afirmou (com amplo eco) que “o triunfo do Syriza nas eleições gregas é um sinal de mudança que dá força a Portugal e a outros países europeus para seguirem a mesma linha.

Contudo, nos últimos dias ziguezagueou e fintou a sua própria opinião, dizendo não só que Tsipras e o Syriza têm combatido a Europa de forma “tonta”, mas ainda que “o governo grego errou ao assumir uma opção estratégica de confrontação às instituições europeias”. 
Bem sei que compatibilizar o interesse nacional com a sua obsessão em ganhar as eleições não é tarefa fácil. 
Contudo, para os eleitores é fundamental saberem o que pensa sobre a atual situação grega. 
É por isso que lhe pergunto – sintética e frontalmente – o seguinte:

Como votaria no referendo grego? 
Aliás, para que não fuja à pergunta: que apelo fará aos eleitores gregos? 
Aceitar a proposta dos credores, permitindo a manutenção da atual estratégia europeia, ou votar contra, ao lado do Syriza, continuando o confronto com os restantes países da zona euro?”.

30/06/2015   18:50 Edgar Caetano
Grécia pode cancelar referendo, diz o "The Times of Malta"

A presidente do Parlamento grego disse esta tarde que não é possível desmarcar um referendo, mas voltam a surgir notícias – agora no Times of Malta – de que este poderá ser cancelado caso seja feita uma oferta que satisfaça o governo grego.

30/06/2015   18:48 Edgar Caetano
Alexis Tsipras e as duras críticas ao referendo (de 2011)

O Observador recordou, há poucos dias, o referendo de 2011, anunciado pelo então primeiro-ministro Giorgios Papandreou.

O site GreekReporter recuperou, por ocasião do referendo agora anunciado por Alexis Tsipras, o que o então líder do pequeno partido Syriza dizia a respeito desse referendo: era “uma forma de Papandreou se aguentar no cargo mais algum tempo” e a vontade popular “expressa-se da forma mais democrática através de eleições, não de referendos”.



Mais recentes são as declarações de Yanis Varoufakis sobre a possibilidade de um referendo, a 19 de maio, quando a própria Alemanha recomendava esse caminho. 
Yanis Varoufakis dizia-se contra o referendo . 
“Seria injusto para os cidadãos gregos obrigá-los a tomar uma posição [sobre os termos de um eventual acordo], pedindo-lhes que respondessem sim ou não”, dizia o ministro das Finanças da Grécia há pouco mais de um mês.

30/06/2015   18:36 Helena Pereira
PS marca distância do Syriza, Governo não comenta metas

A preocupação do PS é vincar o que o diferencia do Syriza – neste caso, o facto de não ter procurado aliados na União Europeia para uma estratégia que, defende, não deve ser de confrontação. 

Já o Governo continua a insistir na mensagem de que o país está preparado para uma eventual saída da Grécia da zona euro, mas sem se pronunciar sobre um ponto essencial: tem ou não que rever as previsões de crescimento económico e de poupança de juros para os próximos quatro anos incluídas no Programa de Estabilidade que entregou em abril em Bruxelas.

30/06/2015   18:18 Edgar Caetano
Mais de 80% dos economistas veem Grécia dentro da zona euro no final de 2015

A agência Bloomberg fez uma sondagem a um vasto conjunto de economistas e descobriu que mais de 80% acreditam que a Grécia continuará a ser um membro da zona euro, pelo menos até final de 2015.

O que será bom para o país, já que 69% acreditam que se a Grécia ficar na zona euro estará melhor daqui a cinco anos do que se sair.

30/06/2015   18:01 Edgar Caetano
Data mais importante é 20 de julho, diz membro do BCE


O Observador falou-lhe a este respeito, ontem,neste texto 

30/06/2015   17:59 Edgar Caetano
Tsipras admite (indiretamente) condicionalidade e um memorando

Alexis Tsipras, que venceu as eleições de 25 de janeiro insurgindo-se contra o “memorando”, não faz qualquer menção às palavras “condicionalidade” e “memorando”, mas diz que o pedido para um novo programa é feito à luz do Tratado do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e à luz dos seus pontos 12 e 16. 
O que dizem estes pontos?

“O MEE poderá prestar apoio a um membro, mediante a sujeição a condicionalidade rígida”, pode ler-se no ponto 12. 
“Esta condicionalidade pode ir de um programa de ajustamento macroeconómico ao respeito contínuo de condições preestabelecidas”.

30/06/2015   17:41 João Cândido da Silva
Eurogrupo não vai “de maneira nenhuma” desbloquear dinheiro para a Grécia na reunião desta terça-feira do Eurogrupo, refere a Reuters, citando uma fonte daquela entidade.

30/06/2015   16:56 Edgar Caetano
Proposta de Tsipras recebida com pouco entusiasmo, diz o FT

Jornalista do Financial Times Peter Spiegel diz no Twitter que “quem toma as decisões” está a ter reações “muito negativas” ao plano apresentado por Alexis Tsipras.


30/06/2015   16:36 Catarina Falcão
Machete dividido quanto a nova proposta

Ainda na audição na Assembleia da República, o deputado do Bloco de Esquerda, José Soeiro, informou Rui Machete da nova proposta de Tsipras. 
O ministro disse que considerava novo plano de Tsipras “um bocadinho incongruente”, mas que era um bom sinal, mostrando que as negociações conseguem prosseguir, mesmo no meio de um processo de referendo. 
O ministro preferiu não comentar mais, já que diz desconhecer nova proposta em detalhe.

30/06/2015   16:25 Edgar Caetano
Merkel diz a deputados alemães que só aceitará falar depois de referendo

Angela Merkel parece disposta a jogar duro com Alexis Tsipras. Segundo várias agências internacionais, a alemã só aceitará falar de um novo programa depois do referendo de domingo.


30/06/2015   16:12 Edgar Caetano
Plano de Tsipras passa pela extensão do programa atual por "um curto período de tempo"

“Até que o empréstimo [por dois anos] seja acordado e esteja em pleno funcionamento, a Grécia pede que o atual programa seja prolongado pelo Eurogrupo por um curto período de tempo, para evitar que seja desencadeado um default técnico”, diz a carta de Tsipras. 
Ao início da tarde, alguns órgãos de comunicação gregos noticiaram que Tsipras ia pedir uma extensão de três meses, rumores a que fonte do governo alemão respondeu que “agora [era] tarde”.

30/06/2015   15:57 Edgar Caetano
A carta de Tsipras a pedir o novo programa

30/06/2015   15:50 Catarina Falcão
Machete: "Saída seria fracasso da moeda única"

No Parlamento, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete disse que a saída da Grécia do euro “seria um fracasso da moeda única”. 
Sobre Portugal, Machete referiu que o Governo dispõe de “instrumentos para pôr em prática” caso o impasse continue a agravar a situação financeira da zona euro. 
O ministro disse ainda que o Governo “considera insustentável esta situação”, esperando agora que os cidadãos gregos se pronunciem no referendo do próximo fim de semana.

30/06/2015   15:26 Edgar Caetano
Teleconferência do Eurogrupo às 18h para discutir pedido da Grécia

Os ministros das Finanças do Eurogrupo terão uma teleconferência às 18h de Lisboa, depois de a Grécia ter pedido um programa de dois anos junto do Mecanismo Europeu de Estabilidade. 
A informação foi confirmada por Jeroen Dijsselbloem, no Twitter.


30/06/2015   15:22 Edgar Caetano
Tsipras deverá voar para Bruxelas ainda hoje, diz The Guardian

A correspondente do The Guardian em Atenas diz que Alexis Tsipras irá voar ainda hoje para Bruxelas. 
O governo grego vai insistir na questão do alívio de dívida para justificar, publicamente, a assinatura de um memorando junto do MEE.

30/06/2015   14:35 João Cândido da Silva
Atenas pede acordo com o MEE e reestruturação da dívida

O governo grego propõe um acordo válido por dois anos com o Mecanismo Europeu de Estabilidade, adianta a Reuters, que garanta à Grécia a satisfação das necessidades de financiamento. Atenas quer, também, negociar uma reestruturação da dívida pública.

30/06/2015   14:23 Edgar Caetano
Cartoon do "The Times of London" esta terça-feira



30/06/2015   14:03 João Cândido da Silva
Nas redes sociais, a crise grega também inspira o humor. 
A justificação para a Grécia não reembolsar os 1,6 mil milhões de euros que devia pagar nesta terça-feira ao Fundo Monetário Internacional está no facto de Yanis Varoufakis alegar que nos últimos dois dias só conseguiu levantar 120 euros.

30/06/2015   13:55 João Cândido da Silva
Frank-Walter Steinmeier, ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, avisa que o problema na crise grega não é apenas de natureza financeira e acrescenta que a União Europeia deve ter uma perspetiva das “consequências geopolíticas”. 
Em particular, no que se refere à capacidade da UE de mostrar que consegue resolver problemas que estão sob a atenção dos países que se encontram fora da União.

Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, qualifica a Grécia como um parceiro “sólido” da organização. 
“Uma Europa forte e unida é bom para a Grécia, é bom para a União Europeia, mas também é bom para a aliança da NATO”. Stoltenberg adianta: “Espero que seja possível encontrar uma solução porque acho que é o melhor para todos nós”.

30/06/2015   13:55 Edgar Caetano
Merkel não tem razões para acreditar em aproximação de última hora

“Esta noite, à meia-noite (23h em Lisboa) o programa expira. 
E não tenho quaisquer indicações concretas noutro sentido”, disse Angela Merkel esta terça-feira.

E depois? 
“Depois, é claro que não iremos fechar os canais de comunicação, o que significa que a porta continua aberta a negociações mas não posso dizer mais do que isto”, diz a chanceler alemã, citada pelas agências noticiosas internacionais.

30/06/2015   13:23 Ana Suspiro
O ministro das Finanças alemão terá entretanto admitido que a Grécia pode ficar no euro, para já, mesmo que o referendo vote contra as propostas dos credores. 
A notícia está a ser avançada pela agência Bloomberg que cita três pessoas que ouviram as declarações de Wolfgang Schäuble feitas num encontro com deputados em Berlim. 
Schäuble assegurou que o Banco Central Europeu fará tudo o que for necessário para proteger o euro se os gregos chumbarem os termos da proposta de acordo no referendo marcado para este domingo.

30/06/2015   12:34 José Manuel Fernandes
O gabinete do primeiro-ministro grego anunciou que Tsipras teve hoje contactos telefónicos com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, com Mario Draghi, presidente do BCE, e com Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, informa o Guardian. 
Especula-se também com a possibilidade de Tsipras voar ainda hoje para Bruxelas.

30/06/2015   12:23 Edgar Caetano
Varoufakis confirma que Grécia não vai pagar ao FMI esta terça-feira

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, já confirmou que a Grécia não irá pagar ao FMI esta terça-feira.

30/06/2015   12:20 Edgar Caetano
Grécia admite "reconsiderar" referendo

Euclid Tsakalotos, o ponta de lança da Grécia na negociação com os credores, diz que “se os credores oferecerem à Grécia uma proposta irrecusável“, a votação de domingo poderá ser “reconsiderada“
Não fica claro se falamos de um cancelamento do referendo ou de uma alteração no sentido de voto do Syriza.

“O referendo é visto como parte do processo negocial, não um substituto desse processo negocial”, diz Tsakalotos, que pede “maior flexibilidade por parte dos credores nos próximos dias”.

30/06/2015   11:59 Edgar Caetano
Alemanha diz que "agora é tarde" para dar nova extensão do programa

Bomba. A Reuters adianta que fonte do governo alemão diz que “agora é tarde demais para dar uma nova extensão ao programa grego”.


30/06/2015   11:54 Edgar Caetano
Skai TV diz que Grécia já enviou uma contraproposta


30/06/2015   11:50 Edgar Caetano
Bruxelas diz que Tsipras ainda não reagiu à proposta de Juncker

O Governo grego ainda não respondeu à última oferta apresentada pelo presidente da Comissão Europeia no sentido de se alcançar um “acordo de última hora” sobre a assistência financeira à Grécia, indicou hoje um porta-voz da Comissão Europeia.

Margaritis Schinas confirmou, na conferência de imprensa diária do executivo comunitário, que, na sequência de um telefonema do primeiro-ministro grego ao presidente da Comissão na segunda-feira à noite, Juncker, após consultar o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, explicou a Alexis Tsipras em que moldes poderia ser alcançado um compromisso de última hora que pudesse ser considerado pelo Eurogrupo numa reunião de emergência.

Segundo o porta-voz, e apesar de ter sido solicitada uma resposta até à meia-noite de segunda-feira, tal ainda não aconteceu até ao momento, “e o tempo agora é muito curto” para ainda se chegar a um acordo antes do final do atual programa de assistência, que termina hoje.

“O programa europeu de assistência financeira expira hoje à meia-noite”, recordou mais que uma vez o porta-voz da Comissão, que confirmou ainda estarem em curso contactos entre Bruxelas e Atenas. 
A informação é da agência Lusa.

30/06/2015   11:35 Edgar Caetano
Supervisor do BCE diz que bancos gregos só continuam solventes "até cinco dias" se Estado não pagar ao FMI

“Será uma questão de dias” até os bancos gregos deixarem de poder se considerados solventes caso Atenas falhe o pagamento ao FMI. 
O alerta, com implicações enormes, vem de um supervisor do Banco Central Europeu (BCE), Felix Hufeld, citado pela Reuters.

“Pode admitir-se que sejam dois, três, quatro ou cinco dias”, mas esse incumprimento – que parece ser uma certeza para já – será suficiente para levar o BCE a deixar de considerar os bancos solventes e, assim, impedir que estes tenham acesso, sequer, à plataforma de liquidez de emergência.

Esta análise torna ainda mais urgente que a Grécia e os credores cheguem a um entendimento, caso contrário a situação irá agravar-se de forma acentuada.

30/06/2015   11:22 João Cândido da Silva
“O Syriza está a pedir aos eleitores gregos que apoiem o seu falhanço”, escreve o correspondente do Guardian em Atenas.

30/06/2015   11:16 João Cândido da Silva
A Alemanha é, na zona euro, o maior credor da Grécia, mas, se o país entrar em incumprimento total, é a Holanda que suportará o maior custo por habitante.
NOTÍCIAS
Da dívida grega: quem vai pagar se a Grécia falhar?
02/03 15:03 CET
Dia do julgamento final financeiro para a Grécia, colapso econômico para a Europa?
Parece que você não pode clicar em um mouse estes dias sem manchetes gritando dívida em você.
Isso não é a sua dívida, ou a minha dívida, mas os bilhões devidos pela Grécia.
O país sol do Mediterrâneo é agora um hotspot da especulação financeira.

Não temos o suficiente para fazer negócio com a protecção do euro em nossos próprios bolsos?
Bem ouça o que o chanceler britânico, George Osborne disse do novo ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis.
Ele disse que o stand - off entre a Grécia e a zona do euro está rapidamente se tornando o maior risco para a economia global.

Ooops - parece que nós, pessoalmente, poderiam estar na linha de fogo económico!

Bem, talvez não agora.
A dívida grega, que é de cerca de € 324.000.000.000 é propriedade de uma série de diferentes instituições.
É difícil de entender um conceito de uma figura tão grande, talvez uma hipoteca além da compreensão.
Quem está no mais profundo, bem, é a zona do euro.
Que instituições própria dívida da Grécia
€ bilhões
Você vai ler a frase "força econômica", uma e outra vez quando os comentaristas se referem a Alemanha.
E é a chanceler alemã, Angela Merkel - algumas vezes chamada de tesoureiro geral da zona do euro, que assinou fora o maior empréstimo para a Grécia.
É a Alemanha que está mais exposta à dívida da Grécia.

Quando você olha para estas somas talvez seja compreensível que todos os envolvidos estão mais do que nervosoa sobre as aspirações do novo governo grego e às suas intenções para a sua dívida.
Bem, que você diria a alguém a quem você emprestou alguns milhares de euros só para esquecê-lo ou deixá-los tomar mais alguns anos para pagá-lo fora?
Membros da zona euro mais expostos à dívida da Grécia
€ bilhões
E, claro, assim como com qualquer dívida o relógio está correndo.
O plano de resgate atual vai bater seu prazo final em 28 de fevereiro Os credores da zona do euro e Atenas precisam encontrar uma solução de compromisso para a extensão do acordo de resgate até então.

Você não terá uma palavra a dizer directa, como tal, em quaisquer potenciais negociações sobre a dívida. O custo, porém, poderia bater seu bolso.
Se você estiver nos Países Baixos, em seguida, que é onde os indivíduos serão os mais atingidos.

Você pode verificar o quanto você pode ser do próprio bolso no gráfico abaixo.
Para enfatizar o gráfico mostra apenas como seremos afetados se houver uma redução da dívida total.
Continue clicando em 'dívida grega ", porque no tempo que todos nós poderia ser afetada!
Custo da dívida grega por pessoa
em euros
O custo da dívida grega para cada pessoa em países mais afectados em caso de uma redução da dívida total.

30/06/2015   11:00 João Cândido da Silva
“Porque a China quer um euro forte enquanto a Grécia vacila”, na Bloomberg 

30/06/2015   10:55 João Cândido da Silva
Testemunhos de cem cidadãos gregos sobre os anos de crise, no Guardian 

30/06/2015   10:36 Edgar Caetano
Tsipras deverá fazer contraproposta a Juncker

Alexis Tsipras poderá, afinal, ser recetivo à proposta de última hora feita por Jean-Claude Juncker, noticiam jornais como o Kathimerini. 
Mas não no sentido de a aceitar, diz um jornalista do Financial Times, que cita fonte do lado grego que diz mesmo que a intenção de Tsipras é propôr outro plano. 
O primeiro-ministro grego deverá olhar para as novas cedências feitas pela Comissão Europeia e fazer uma contraproposta.


Tsipras, que está em contacto com Juncker, estará sob pressão por parte de alguns ministros, incluindo o primeiro-ministro adjunto Yannis Dragasakis, para aceitar a oferta de Juncker.


30/06/2015   10:14 Edgar Caetano
Governo desmente intenção de limitar levantamentos a 20 euros

Correu esta manhã um rumor em Atenas de que os controlos de capitais iriam ser intensificados e os levantamentos diários nas caixas ATM iriam ser reduzidos para um máximo de 20 euros. Atualmente o limite é de 60 euros. 
O Ministério das Finanças apressou-se a desmentir esta hipótese.

30/06/2015   10:09 João Cândido da Silva
Tsipras poderá, afinal, analisar a oferta de Juncker

Fontes citadas pelo jornal grego Kathimerini e pela SKAI TV indicam que o governo grego está a reconsiderar a proposta feita por Jean-Claude Juncker, que inicialmente rejeitou.

30/06/201   10:05 Edgar Caetano
Líder do To Potami pede a Tsipras para cancelar o referendo

“Não vamos transformar-nos em mendigos na vizinhança balcânica. 
O sim à Europa vai vencer”, garante Stavros Thedorakis, líder do partido liberal To Potami.

Apesar da confiança na vitória do Sim, Theodorakis pede a Alexis Tsipras que cancele o referendo. 
“Pedimos ao Sr. Tsipras que tenha coragem de dizer a verdade ao povo grego, colocar o oportunismo de lado, retirar o referendo e chegar a um acordo com a União Europeia (UE)“.

As declarações de Theodorakis estão citadas pelo GreekReporter 

30/06/2015   9:59 Edgar Caetano
Governo grego "está a pensar" em voltar à mesa das negociações

Órgãos da imprensa grega estão a noticiar que o governo grego “está a pensar voltar” à mesa das negociações até esta noite, diz uma jornalista do MarketNews.gr no Twitter.


30/06/2015   8:59 Edgar Caetano
Tsipras muda regras dos referendos para não aparecer com a Aurora Dourada

O grego Kathimerini constatou que o governo alterou as regras dos referendos para evitar aparecer nos Tempos de Antena ao lado do partido de extrema-direita Aurora Dourada.

No decreto emitido pelo governo grego, diz-se que “se não for possível juntar um comité de apoio pelo não e pelo sim devido a diferenças políticas, ideológicas ou outras, isto será anunciado ao responsável pelo representante do maior grupo parlamentar que apoie cada uma das escolhas”. 
Neste caso, explica o jornal, dois terços do tempo de antena irá para os partidos e um terço para as entidades que apoiam cada uma das escolhas.

Esta alteração foi feita após o anúncio do referendo. 
Se é legal ou não, o jornal grego tem algumas dúvidas, mas será eficaz em dar o máximo de tempo possível a Alexis Tsipras e evitar que este apareça ao lado do partido Aurora Dourada.

30/06/2015   8:33 Edgar Caetano
Bolsas abrem com perdas ligeiras

Um retrato da abertura das bolsas esta terça-feira, dia em que a Grécia irá falhar com o pagamento de 1,6 mil milhões à Grécia e que termina o prazo para fechar o segundo resgate grego.

Índice de ações europeias (Stoxx 600): -0,73%
Índice de bancos europeus: -0,46%
Índice PSI-20 da bolsa de Lisboa: -0,24%
BCP: +0,27%
BPI: +1,09%

30/06/2015   8:21 Edgar Caetano
Saída do euro "já não pode, infelizmente, ser excluída", diz membro do BCE

Já lhe demos conta destas declarações de Benoît Coeuré no liveblog de ontem, mas faz sentido recuperar a entrevista do membro do Conselho Executivo do BCE (não um dos governadores) ao Les Echos

“A saída da Grécia da zona euro, que era um objeto teórico, já não pode, infelizmente ser excluída”, afirmou o responsável. 
E porquê? 
“Porque houve uma escolha por parte do governo grego de interromper a negociação com os credores e lançar um referendo, o que fez com que o Eurogrupo não aceitasse uma nova extensão do segundo programa de assistência”. 
Este não é o relato feito por Atenas, que diz que o referendo foi convocado devido à intransigência dos credores.

Benoît Coeuré garante que foi apresentada à Grécia uma proposta “muito mais favorável”, que lhe dava “tempo e autonomia para reformar a sua economia”.

Agora, com o referendo a poucos dias de distância (domingo) mas já depois de o programa expirar (hoje), o francês diz que “se a resposta for sim, não tenho dúvidas de que as autoridades da zona euro vão encontrar formas de corresponder aos seus compromissos”. 
Ou seja, tudo isto é “uma questão política”, diz Benoît Coeuré.

Outro ponto crucial é que Benoît Coeuré diz que os bancos gregos terão acesso à plataforma de liquidez de emergência “até nova informação”. 
A situação está sob “acompanhamento constante” por parte do Conselho de Governadores.

30/06/2015   7:50 Edgar Caetano
Varoufakis admite recorrer aos tribunais para não sair do euro

Vários líderes europeus têm deixado claro que o referendo de domingo será, na prática, um referendo à continuidade na zona euro. 
Mas Yanis Varoufakis faz uma análise diferente.

O ministro das Finanças da Grécia admite recorrer ao Tribunal Europeu de Justiça e “fazer uso de todos os nossos direitos legais” para evitar a expulsão da zona euro e impedir o bloqueio do sistema bancário.

“Os tratados europeus não fazem qualquer provisão para a saída do euro e recusamos aceitar isso. 
O nosso estatuto de membro não é negociável”, disse Varoufakis ao The Telegraph 

30/06/2015   7:07 Edgar Caetano
Juncker faz proposta de última hora à Grécia

Bom dia.

No último dia do prazo para a conclusão do segundo programa de assistência, Alexis Tsipras recebeu uma nova oferta de Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia.

Segundo a Reuters, que cita fontes de Bruxelas e, também, de Atenas, esta nova investida pretende que o primeiro-ministro grego diga, por escrito, que aceitará a proposta em causa numa reunião extraordinária do Eurogrupo futura (a convocar) e que aceite fazer campanha pelo “sim” no referendo à proposta europeia.

A nova proposta faz algumas concessões como manter o IVA na hotelaria em 13% (face aos 23% da última proposta europeia). 
Se Tsipras aceitar, acrescenta a Reuters, o Eurogrupo poderá recuperar uma promessa feita em 2012 que falava em aumentar novamente os prazos da dívida grega, baixar as taxas de juro e alargar a moratória (de 10 anos) nos empréstimos europeus à Grécia. 
Essas ideias poderiam ser aplicadas a partir de outubro.

Uma fonte do governo grego diz que Tsipras ouviu “com interesse” o que está a ser proposto mas garantiu que o primeiro-ministro irá votar “não” no referendo de dia 5 de julho.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Traduzido e comentado: o que Varoufakis disse na reunião que “não orgulha a Europa”



INTERNACIONAL
29/06/2015  -  20h35
Quando estiver quase a acabar este texto, que é comentado em vídeo por Pedro Santos Guerreiro, vai encontrar esta pergunta: “Onde é que estavas no 27 de junho? 
E o que fizeste para evitar o que aconteceu?”. 
Varoufakis colocou-a no Eurogrupo de sábado, que acabou como o mundo sabe: sem ninguém saber se o 27 de junho foi ou não o princípio de algo incontrolável. 
O Expresso traduziu o que Varoufakis pronunciou: para que você possa ler e fundamentar informadamente a sua opinião.


NOTA DE VAROUFAKIS NO SEU BLOGUE, ONDE DISPONIBILIZOU O TEXTO
A reunião de 27 de junho de 2015 do Eurogrupo não vai ficar na história da Europa como um momento de que nos possamos orgulhar. 
Os ministros recusaram o pedido do governo grego para que fosse concedido ao povo grego uma mera semana durante a qual diriam 'Sim' ou 'Não' às propostas das instituições — propostas cruciais para o futuro da Grécia na Zona Euro. 
A simples ideia de que um governo consulte o seu povo quanto a uma proposta problemática que lhe é feita pelas instituições foi tratada com incompreensão e muitas vezes desdém que roçava o desprezo. Chegaram a perguntar-me: 'Está à espera que as pessoas normais compreendam questões tão complexas?'. 
Na verdade, a democracia não teve um bom dia na reunião do Eurogrupo deste sábado! 
Mas as instituições europeias também não. 
Depois de o nosso pedido ser rejeitado, o presidente do Eurogrupo quebrou o pacto de unanimidade (emitindo uma declaração sem o meu consentimento) e tomou mesmo a dúbia decisão de convocar um encontro sem o ministro grego, ostensivamente para discutir os 'passos seguintes'.  
É possível a coexistência de uma união monetária e da democracia? 
Ou uma delas tem de desistir? 
Esta é a questão fundamental a que o Eurogrupo decidiu dar resposta colocando a democracia na gaveta de baixo. 
De momento, esperemos.


INTERVENÇÃO DE VAROUFAKIS NO EUROGRUPO
No nosso último encontro (25 de junho), as instituições colocaram na mesa a sua oferta final às autoridades gregas, em resposta à nossa proposta de Acordo ao Nível de Staff (SLA) apresentada a 22 de junho (e assinada pelo primeiro-ministro Tsipras). 
Depois de uma longa e cuidadosa apreciação, o nosso governo decidiu que, infelizmente, a proposta das instituições não podia ser aceite. Dada a grande proximidade do prazo de 30 de junho, data em que o acordo de empréstimo corrente expira, este impasse preocupa-nos muito a todos e as suas causas devem ser rigorosamente examinadas.

Rejeitámos as propostas de 25 de junho das instituições por causa de uma série de razões poderosas. 
A primeira razão é a combinação de austeridade e injustiça social que imporiam a uma população já devastada por… austeridade e injustiça social. 
Mesmo a nossa proposta SLA (de 22 de Junho) é austera, numa tentativa de aplacar as instituições e assim ficar mais perto de um acordo. 
Só que o nosso SLA tentava passar o fardo desta renovada carnificina austeritária para aqueles que estão mais capazes de a suportar — isto é, concentrando-nos no aumento das contribuições dos patrões para os fundos de pensões em vez de reduzir ainda mais as pensões mais baixas. 
Ainda assim, mesmo o nosso SLA contém muitas partes que a sociedade grega rejeita.

Assim, tendo-nos empurrado para aceitar uma dose substancial de nova austeridade, na forma dos absurdamente grandes superavits primários (3,5% do PIB a médio prazo, ainda assim um tanto abaixo do número fantasmagórico acordado com os anteriores governos – i.e. 4,5% – , acabámos por ser forçados a fazer escolhas recessivas entre, por um lado, aumento de impostos/encargos numa economia onde os que pagam o que lhes é imposto já pagam com a corda na garganta e, por outro, reduções nas pensões/benefícios sociais numa sociedade já devastada por cortes maciços nos rendimentos básicos dos cada vez mais numerosos necessitados.

Deixem que vos diga, colegas, o que já trouxemos às instituições a 22 de junho, quando colocávamos na mesa as nossas próprias propostas: mesmo este SLA, o que propúnhamos, seria muito difícil de passar no Parlamento, dado o nível de medidas de recessão e austeridade que implicava. 
Infelizmente, a resposta das instituições foi insistir em medidas ainda mais recessivas, o mesmo é dizer paramétricas (isto é, aumento do IVA dos hotéis de 6% para 23%!) e, ainda pior, em passar o fardo em massa das empresas para os mais fracos membros da nossa sociedade (isto é, reduzir as pensões mais baixas, retirar o apoio aos agricultores, adiar para as calendas legislação que dá alguma proteção aos trabalhadores violentamente explorados).

As novas propostas das instituições, como vêm expressas no seu documento SLA/Ações Prioritárias  de 25 de junho, transformariam um pacote politicamente problemático — da perspetiva do nosso Parlamento – num pacote extremamente difícil de passar no nosso grupo parlamentar. 
Mas não é tudo. 
Fica cada vez pior que isso quando damos uma vista de olhos ao pacote de financiamento proposto.

























O que torna a proposta das instituições impossível de passar no Parlamento é a falta de resposta a uma pergunta:  estas medidas dolorosas dão-nos pelo menos um período de tranquilidade durante o qual podemos realizar as reformas e medidas acordadas? 
Haverá um choque de otimismo contra o efeito recessivo de uma consolidação fiscal extra que é imposta a um país que está em recessão há 21 trimestres consecutivos? 
Não, a proposta das instituições não oferece essa perspetiva.

E isso porque o financiamento proposto para os próximos cinco meses é problemático de várias maneiras:

. primeiro, não estabelece nenhuma provisão para as perdas do Estado, causadas por cinco meses a fazer pagamentos sem desembolsos e de rendimentos fiscais em queda como resultado da constante ameaça da saída da Grécia do Euro que tem andado no ar, por assim dizer;

. segundo, a ideia de canibalizar o Fundo de Garantia para pagar as obrigações da era do programa SMP do BCE constitui um claro perigo: estes montantes eram reservados, corretamente, para reforçar os frágeis bancos gregos, possivelmente através de uma operação que joga com os seus tremendos Empréstimos Não-Rentáveis que devoram a sua capitalização. 
A resposta que me foi dada por altos responsáveis do BCE, cujos nomes não revelo, é que, se for preciso, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) será reposto para estar ao nível das necessidades de capitalização dos bancos. 
O ESM é a resposta que me deram. 
Mas, e este é um mas gigantesco, isto não faz parte do acordo proposto e, mais, não pode fazer parte do acordo uma vez que as instituições não têm mandato para comprometer o SME desta maneira – o que tenho a certeza Wolfgang não deixará de nos recordar. 
E, mais ainda, se este novo acordo pudesse ser feito, porque é que então a nossa proposta, sensata, moderada, de novo empréstimo do SME à Grécia, que ajude a passar a labilidade dos SMP do BCE para o SME, não é discutida?  
A resposta "não discutimos porque não" será muito difícil de transmitir ao meu Parlamento juntamente com mais um pacote de austeridade;

. terceiro, o plano de desembolsos proposto é um campo de minas de avaliações — uma por mês — que asseguraria duas coisas: primeiro, que o governo grego estivesse imerso, todos os dias, todas as semanas, no processo de avaliação durante cinco meses; e bem antes de estes cinco meses terminarem, entraríamos noutra entediante negociação do programa seguinte — uma vez que não há nada nas propostas das instituições capaz de inspirar a mais leve das esperanças de que no final de mais esta extensão a Grécia possa levantar-se sozinha nos dois pés;

. Quarto, dado que é claro à sociedade que a nossa dívida continuará insustentável no fim deste ano, e que o acesso aos mercados estará tão distante nessa altura como agora, não se pode contar com o FMI para desembolsar a sua parte, os 3,5 mil milhões com que as instituições estão a contar como parte do pacote de financiamento sobre a mesa.

Estas são razões sólidas para que o nosso governo não considere que tem mandato para aceitar a proposta das instituições ou para usar a sua maioria no Parlamento de forma a empurrá-la contra os estatutos.




























Ao mesmo tempo, não temos mandato para rejeitar também as propostas das instituições, sabendo do momento crítico da história que vivemos. 
O nosso partido recebeu 36% dos votos e o governo no seu todo representa pouco mais de 40%. 
Conscientes do peso da nossa decisão, sentimo-nos obrigados a colocar a proposta das instituições ao povo da Grécia. 
Empenhar-nos-emos a explicar-lhes completamente o que significa um "Sim" à proposta das instituições, a fazer o mesmo relativamente a um voto "Não", e a deixá-los decidir. 
Da nossa parte aceitaremos o veredito do povo e faremos tudo o que for necessário para o implementar — para um lado ou para outro.

Há alguma preocupação de um voto "Sim" ser um voto de desconfiança no nosso governo (já que recomendamos o "Não"), caso em que não podemos prometer ao Eurogrupo que estaremos em posição de assinar e implementar o acordo com as instituições. 
Não é assim. 
Somos democratas convictos. 
Se o povo nos der uma clara instrução para assinarmos as propostas das instituições, faremos tudo o que for preciso para o fazer - mesmo que isso signifique um governo remodelado.

Colegas, a solução do referendo é ótima para todos, dados os constrangimentos que enfrentamos:

. se o nosso governo aceitasse hoje a oferta das instituições, prometendo levá-la ao Parlamento amanhã, seríamos derrotados no Parlamento com o resultado de umas novas eleições a serem convocadas dentro de um longo mês – depois, o atraso, a incerteza e as perspetivas de uma solução bem-sucedida seriam muito, muito mais diminutas;

. mas mesmo se conseguíssemos fazer passar no Parlamento as propostas das instituições, enfrentaríamos um problema maior de propriedade e implementação. 
Em termos simples, tal como no passado os governos que impuseram políticas ditadas pelas instituições não puderam ganhar o povo para as tarefas, também nós iríamos falhar em consegui-lo.
























Quanto à questão que será colocada ao povo grego, muito se disse sobre qual devia ser. 
Muitos de vós disseram-nos, aconselharam-nos, instruíram-nos até, que deveríamos fazê-la como uma pergunta de "Sim" ou "Não" ao Euro. Deixem-me ser claro nisto. 
Primeiro, a questão foi formulada pelo Governo e já passou no Parlamento — e ela é "Aceita a proposta das instituições como nos foi apresentada a 25 de junho, no Eurogrupo?”  
Esta é a única questão pertinente. 
Se tivéssemos aceitado essa proposta há dois dias, teríamos tido um acordo. 
O governo grego está agora a fazer ao eleitorado a pergunta que você me fez, Jeroen – especialmente quando disse, e passo a citá-lo, "pode considerar, se quiser, isto como uma proposta de pegar ou largar". 
Bem, foi assim que a encarámos e estamos agora a honrar as instituições e o povo grego pedindo a este último que dê uma resposta clara à proposta das instituições.

Para os que dizem que, efetivamente, este é um referendo ao Euro, a minha resposta é: podem muito bem dizer isso, mas não faço comentários. 
É o vosso julgamento, a vossa opinião, a vossa interpretação. 
Não é a nossa! 
A vossa visão tem uma lógica mas apenas se contiver uma ameaça implícita de que um "Não" do povo grego à proposta das instituições seria seguido por manobras para expulsar a Grécia, ilegalmente, do Euro. 
Tal ameaça não seria consistente com os princípios básicos da governação democrática europeia e com o Direito Europeu.

Para os que nos dão instruções para colocar a questão do referendo como um dilema euro-dracma, a minha resposta é cristalina: os tratados europeus preveem saídas da Uniâo Europeia. 
Não preveem nenhuma medida para uma saída da Zona Euro. 
Com razão, claro, uma vez que a indivisibilidade da nossa União Monetária faz parte da sua razão de ser. 
Pedir-nos  que coloquemos a pergunta do referendo em termos de uma escolha envolvendo a saída da Zona Euro é pedir-nos para violarmos os Tratados da União Europeia e as leis da EU. 
Sugiro a quem queira que nós, ou outro governo, faça um referendo sobre a participação na União Monetária Europeia que recomende antes uma mudança dos Tratados.
























Colegas,

É tempo de tomar medidas. 
A razão por que estamos hoje neste impasse é só uma: a proposta de base do nosso governo ao Eurogrupo e às instituições, que fiz aqui no Eurogrupo na minha primeira intervenção de sempre, nunca foi levada a sério. 
Era uma sugestão de que fosse criado terreno comum entre o Memorando existente e o nosso novo programa de governo. 
Por instantes, a declaração do Eurogrupo de 20 de fevereiro levantou a hipótese desse terreno comum - dado que não fez referência ao Memorando e se concentrou numa nova lista de reformas do meu governo que seria apresentada às instituições.

Lamentavelmente, logo após o 20 de fevereiro, as instituições e a maioria dos colegas aqui na sala desejaram trazer de novo o Memorando para o centro da discussão e reduzir o nosso papel a mudanças marginais no mesmo. 
Foi como se nos dissessem, parafraseando Henry Ford, que podíamos ter qualquer lista de reformas, qualquer acordo, desde que fosse o memorando. 
O terreno comum foi assim sacrificado a favor da imposição ao nosso governo de um recuo humilhante. 
É a minha visão. 
Mas não é importante neste momento. 
Agora é o povo grego que decide.

A nossa tarefa, no Eurogrupo de hoje, deve ser limpar o chão para uma passagem suave para o referendo de 5 de julho. 
Isto significa uma coisa: que o nosso acordo de empréstimo seja prolongado por poucas semanas para que o referendo decorra em condições de tranquilidade. 
Logo após 5 de julho, se o povo votar "Sim", assinaremos a proposta das instituições. 
Até lá, durante a próxima semana, à medida que se aproximar o referendo, qualquer desvio à normalidade, especialmente no setor bancário, seria invariavelmente interpretada como uma tentativa para coagir os eleitores gregos. 
A sociedade grega pagou um enorme preço, através de uma enorme contração fiscal, no sentido de fazer parte da nossa união monetária. 
Mas uma união monetária democrática que ameaça um povo prestes a dar o seu veredito com controlos de capitais e encerramentos de bancos é uma contradição nos termos. 
Gostava de pensar que o Eurogrupo respeitará este princípio. 
Quanto ao BCE, que tem a custódia da nossa estabilidade monetária e da própria União, não tenho dúvida de que, se o Eurogrupo tomar hoje a decisão responsável de aceitar um pedido de extensão do nosso acordo de empréstimo que acabo de colocar na mesa, fará o que é preciso para dar ao povo grego mais uns dias para exprimir a sua opinião.

Colegas, este é o momento e as decisões que tomamos são momentosas. Daqui a uns anos poderão mesmo perguntar-nos: "Onde é que estavas no 27 de junho? 
E o que fizeste para evitar o que aconteceu?" 
E no mínimo deveríamos ser capazes de responder: demos a um povo que vive sob a maior depressão uma hipótese de reconsiderar as suas opções. 
Tentámos a democracia como meio de quebrar um impasse. 
E fizemos o que tínhamos a fazer para lhes dar uns dias para pensar e decidir.


























POST SCRIPTUM DE VAROUFAKIS NO SEU BLOGUE
O dia em que o presidente do Eurogrupo quebrou a tradição da unanimidade e excluiu por sua vontade a Grécia de um encontro do Eurogrupo 
Na sequência da minha intervenção, o presidente do Eurogrupo rejeitou o nosso pedido de extensão, com o apoio do resto dos membros, e anunciou que o Eurogrupo iria emitir uma declaração colocando o ónus deste impasse na Grécia e sugerindo que os 18 ministros (ou seja, os 19 ministros das Finanças da Zona Euro, exceto o ministro grego) se reunissem mais tarde para discutir formas e meios de se protegerem.

Nesse ponto pedi conselho jurídico ao secretariado sobre se uma declaração do Eurogrupo podia ser emitida sem a convencional unanimidade e se o presidente do Eurogrupo podia convocar uma reunião sem convidar o ministro das Finanças de um Estado-membro. Recebi a seguinte e extraordinária resposta: "O Eurogrupo é um grupo informal. 
Por isso não está sujeito aos tratados ou a regulamentos escritos. Embora a unanimidade seja convencionalmente usada, o presidente do Eurogrupo não está preso a regras explícitas". 
Deixo os comentários ao leitor.

Pela minha parte, tiro esta conclusão:
Colegas, recusar alargar o prazo do acordo de empréstimo por um par de semanas e assim dar tempo ao povo grego para deliberar em paz e calmamente sobre a proposta das instituições, especialmente dada a alta probabilidade de o povo aceitar estas propostas (contrariando o conselho do nosso governo), causará danos permanentes na credibilidade do Eurogrupo como um corpo democrático de decisão que reúne estados parceiros que partilham não só uma moeda comum, mas também valores comuns.

Tradução de António Costa Santos

Teodora Cardoso: Cenário grego pode comprovar vulnerabilidade de Portugal

29-06-2015 10:13
Economista lembra que a maior parte da dívida foi financiada pelo exterior, estando assim susceptível a factores externos. 















A presidente do Conselho de Finanças Públicas diz que o cenário grego pode comprovar a vulnerabilidade de Portugal do ponto de vista económico.
Teodora Cardoso sublinha a susceptibilidade da economia a factores externos, nomeadamente a situação grega, uma razão para acentuar a aposta nas exportações. 
“O problema de dívida no Estado, é que a maior parte da nossa dívida, quer pública, quer privada, foi financiada pelo exterior. 
Isso criou uma vulnerabilidade muito grande à economia”, observa.
“Como continuamos a estar vulneráveis, independentemente de termos melhorado muitas coisas, temos de continuar a garantir muita atenção às exportações. 
As importações vão ter de acontecer, quer para consumo, quer para investimento, as pessoas precisam de importar, mas temos, o mais possível, de encaminhar a economia para garantir que as exportações cobrem essa necessidade”, defende a economista.
A partir desta segunda-feira e ao longo de toda a semana, a presidente do Conselho de Finanças Públicas vai comentar, na Renascença, os temas determinantes para o futuro do país. 

A Grécia e os parceiros da Zona Euro terminaram as negociações no sábado, depois do anúncio por Atenas de um referendo a 5 de Julho às propostas dos europeus sobre o programa de resgate, que termina na terça-feira. 
Até 6 de Julho, os gregos só vão poder levantar 60 euros por dia. 
O pagamentos das pensões ficam isentos das restrições impostas às transacções bancárias e os estrangeiros, com cartão de crédito, não têm limitações.

Em termos políticos, o dia é marcado por encontros ao mais alto nível na Alemanha, em França e em Espanha. 
Angela Merkel, François Hollande e Mariano Rajoy reúnem-se com ministros e partidos. 
A Grécia está no topo da agenda. 

Atenas tem até ao final do mês para pagar 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). 
Se não conseguir pagar a prestação, entra em incumprimento. 
Os credores apresentaram uma nova proposta para resolver a crise da Grécia e manter o país no euro. 
As instituições internacionais pedem o agravamento de impostos e o fim de alguns subsídios. 




Será que o BCE cometeu um erro com a Grécia?

Charles Wyplosz
29 de junho de 2015














O BCE decidiu manter seu atual nível de liquidez de emergência para a Grécia (BCE de 2015) 
Ao se recusar a estender liquidez de emergência adicionais, o BCE decidiu que a Grécia deve sair da Zona Euro.
Esta pode ser uma necessidade legal ou um julgamento político, ou ambos.
De qualquer forma, ele levanta uma série de perguntas desagradáveis sobre o tratamento de um país membro e quanto à independência do banco central.

Como antecipado (Wyplosz, 2015)  , as negociações entre a Grécia levaram a lugar nenhum.
Como resultado, a Grécia é obrigada a usar como default em todas as dívidas com vencimento nos dias e semanas que virão.
Com um orçamento próximo do equilíbrio primário, o governo grego poderia ter seguiu em frente até que novas negociações sobre o inevitável write-down de sua dívida.

O risco para os gregos dessa "estratégia default 'tem sido sempre que dependia inteiramente da vontade do BCE para continuar a fornecer o sistema bancário grego com liquidez, especialmente em um momento de um banco gerido por depositantes racionais que colocam um risco diferente de zero de Grexit.
Ao longo das últimas semanas, o BCE forneceu a liquidez necessária em face de um "slow-motion run" em bancos gregos.

De repente, na manhã de 28 de Junho, o BCE parou de fornecer fundos de emergência para os bancos gregos.
Em uma auto-realizável crise forma clássica, é obrigado a decisão de transformar o "slow-motion run" em pânico.
  • As férias e de capitais controles bancários anunciadas irá criar algum espaço para respirar, mas muito brevemente.
Estas medidas não impedirá que o sistema bancário do colapso.
  • A consequência natural será o colapso do sistema bancário grego.
  • Nessa fase, possivelmente mais cedo, as autoridades gregas não terão escolha a não ser deixar a zona do euro e fornecer aos bancos o dracma re-criado.
O caos é obrigado a seguir na Grécia.

Por que o BCE fez isso

Por que o BCE congelar sua Assistência de Liquidez de Emergência (ELA) para a Grécia? O BCE irá, sem dúvida, vir acima com todos os tipos de justificativas legais. Seja verdade ou não, isso não vai mudar o resultado.

Se o BCE é verdadeiramente legalmente obrigados a parar ELA, isso significa que a arquitetura da zona euro é profundamente falhanço.
  • Se não, o BCE terá feito uma decisão política de importância histórica.
De qualquer maneira, este é um passo desastroso.

Quer se goste ou não, a cada banco central é um emprestador de última instância para os bancos comerciais.
  • Por não manter o sistema bancário grego à tona, o BCE está a falhar em uma responsabilidade central.
Uma explicação é que o BCE teme prejuízos.
Isto é parcialmente incorreto, parcialmente mal orientado.
É incorreto porque os empréstimos ELA são fornecidos pelo Banco Central da Grécia.
É o Banco Central da Grécia, e, portanto, o povo grego, que significa a sofrer perdas com inadimplência de bancos comerciais.
É mal orientado porque os bancos centrais não são entidades comerciais.
Aceitando perdas faz parte da sua missão de serviço público. Mantendo o sistema bancário à tona é parte de sua missão principal.

É verdade, quando os defaults do governo grego sobre o BCE em meados de julho, haverá perdas.
Aqui, novamente, este não é um bom motivo para parar de ELA.
  • Primeiro, porque Grexit vai garantir que a Grécia será default.
  • Em segundo lugar, porque, como mencionado acima, os bancos centrais devem aceitar perdas cumprir as suas missões.
  • Em terceiro lugar, esses defaults dizem respeito a obrigações com vencimento em tesouraria adquiridas pelo BCE, no auge da crise, como parte das operações de resgate realizadas em conjunto com o FMI e outros países da Zona Euro.
O problema é que o BCE estava vinculado pela cláusula de não resgate dos Tratados.
Ele escolheu para contornar a lei, e este deve estar no seu próprio risco.
Houve uma boa razão para ter uma cláusula de não-resgate, depois de tudo.
Seria moralmente correto que o BCE sofresse as conseqüências, e não a Grécia, que não tiveram nenhuma escolha, então, como explicado abaixo.

BCE deve aceitar a responsabilidade por suas escolhas passadas

Em termos mais gerais, o BCE deve aceitar a sua parte de responsabilidade pela gestão desastrosa da crise da dívida soberana grega.
Foi o BCE que recusou no início de 2010 um write-down da dívida grega (Blustein 2015) 

Contrafactuais nunca estão totalmente convincentes, mas um bom caso pode ser feito que esta decisão é a razão pela qual os programas gregos falharam.
Um início de write-down teria proporcionado alívio suficiente para evitar a estabilização fiscal profundo e carregado-frente que mergulhou a Grécia em uma depressão de longa duração.
Uma dívida write-off cedo teria reduzido as suas necessidades de financiamento e da dívida íngreme build-up que se seguiu.
Dívida de hoje poderia muito bem ser perfeitamente sustentável.

França, Alemanha e responsabilidade FMI

Os governos francês e alemão rapidamente apoiou a posição do BCE para proteger seus grandes bancos, que realizou grandes quantidades de títulos do governo grego.
Ele também foi apoiado por os EUA, que temia um novo "mega-Lehman" crise bancária.

Em maio de 2010, o FMI não foi capaz de atestar que, seguindo os empréstimos do programa, a dívida grega teve uma alta probabilidade de ser sustentável, por isso inventou uma nova cláusula: empréstimos que impedem uma dívida potencialmente insustentável pode ser autorizada se existe um sistémico risco para a economia global (Sterne 2014) 
Pode muito bem ter sido um tal risco sistémico , então recusando-se a escrever a dívida grega não pode ter sido um erro, nós simplesmente não sabemos com certeza.
Ainda assim, esse raciocínio carrega uma implicação perturbadora pois significa que a Grécia foi sacrificada para evitar o risco de uma crise global (Wyplosz 2011) 

As autoridades gregas foram coagidas a aceitar empréstimos para manter servir seus credores, incluindo instituições financeiras em outros lugares na Europa e os EUA.
A enorme dívida pública engavetamento que se seguiu é uma contribuição grega para a estabilidade financeira global.

Estranho papel do BCE na Troika

Além disso, juntando-se a Troika, o BCE também escolheu a desempenhar um papel estranho.
Nos programas normais, o FMI senta-se em um lado da mesa, enquanto as autoridades do país, o governo e o banco central, ocupam o outro lado.
Por estar do lado dos credores, o BCE viu-se na posição de impor condições e monitoramento.
Este é um aspecto do ponto mais geral feito por De Grauwe (2011) 

A razão profunda para a crise da dívida soberana da zona euro é que o euro é uma moeda estrangeira para os países membros.
Ele também fornece um exemplo de quão profundamente politizado o BCE tornou-se.
Nenhum outro banco central no mundo diz que seu governo deveria realizar reformas, nem como acentuada deve ser a consolidação fiscal.
Como membro da Troika, o BCE estava instruindo a Grécia para realizar políticas redistributivas profundamente, para que os políticos eleitos unicamente têm um mandato democrático.
No final, ele deve aceitar a culpa por políticas mal concebidas que provocaram uma profunda depressão e suas conseqüências políticas.

A decisão de congelar ELA está levando esse processo a politização a um novo patamar.
Com efeito, o BCE está empurrando a Grécia a sair da zona euro. Os políticos podem debater sobre a sabedoria de fazer a Grécia sair.
Como os funcionários não eleitos, as pessoas que se sentam no Conselho Directivo do Eurosistema não têm tal mandato.
A interpretação de caridade é que eles sentiram que muitos governos teria duramente criticado manter o fluxo de liquidez para os bancos gregos abertos depois que o governo grego em vigor fechou as negociações chamando um referendo.
Isso é verdade, mas a independência do banco central é projetada para evitar esse tipo de pressão.

Considerações finais: a independência do BCE minada

No papel, o BCE goza de independência total.
Seus membros do Conselho não podem ser revogados e o seu mandato longo de oito anos não pode ser renovado, de modo que que eles não têm de agradar governos dos países membros.
No entanto, eles relutantemente violaram a cláusula de não-resgate para agradar governos dos países membros.
Em seguida, eles levaram três anos para decidir sobre as transacções monetárias definitivas (OMT) programa de estudos - que trouxe alívio imediato - porque alguns governos membros se opuseram a ela.
Pela mesma razão, eles começaram a QE, sete anos após o Fed, provavelmente contribuindo para o período mais longo de sempre de ausência de crescimento na Europa.
E agora eles estão provocando Grexit, que vai transformar radicalmente a Zona Euro.
A adopção do euro já não é irrevogável, um fato que é obrigado a agitar os mercados financeiros com consequências desconhecidas.
A Grécia não é a única vítima; a governação da zona euro foi abalada.


References
De Grauwe, Paul (2011), “Managing a fragile Eurozone”, VoxEU.org, 10 May.
Paul Blustein (2015) “Laid low: the IMF, the Euro Zone and the first rescue of Greece”, CIGI Papers No. 61.
Sterne, Gabriel (2014) “The IMF crisis and how to solve it”, Oxford Analytics.
Wyplosz, Charles (2011) “The R word”, VoxEU, 29 April.
Wyplosz, Charles (2015) “The coming defaults of Greece” VoxEU, 27 April.
This article is published in collaboration with VoxEU. Publication does not imply endorsement of views by the World Economic Forum.